O filme da fé

O filme da fé

Daniel Filho fala de Chico Xavier, longa que estreia na sexta sobre o consagrado médium

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2010 | 00h00

Daniel Filho conversa com exclusividade com o repórter do Estado. Após a exibição de Chico Xavier para convidados, na cidade de Paulínia, na terça-feira passada, à noite, o cineasta dá sua única entrevista individual para a imprensa escrita, sobre o filme inspirado na vida do médium. O encontro ocorre de madrugada, num restaurante de Campinas, enquanto o diretor e a mulher ? a cantora Olivia Byington ? jantam. Ocorrem duas ou três interrupções. Nelson Xavier, um dos três atores que fazem o protagonista, anuncia que vai fazer um discurso. Diz que viu o filme pela primeira vez em condições e que gostou. Propõe um brinde para Daniel Filho. O próprio Daniel faz seu discurso, agradecendo à equipe. O clima é de festa.

Chico Xavier será lançado na próxima sexta-feira, dia 2, com um mínimo de 300 cópias. A distribuidora Downtown estima que poderão chegar a 400. O feriado prolongado de Páscoa, o centenário de nascimento do médium, tudo contribui para a expectativa de um grande sucesso. E Daniel Filho tem a Globo por trás. Ele corrige ? "Falei lá no palco do teatro que tenho um plim-plim sobre a minha cabeça. Mas não é verdade que tenho a Globo por trás de mim. A Globo é que me tem. Pertenço ao grupo que fez aquilo lá."

Os filmes brasileiros que seriam presumíveis estouros de bilheteria neste começo de ano não corresponderam ? Lula, o Filho do Brasil e High School Musical ? O Desafio. Chico Xavier chega agora para garantir os bons números do ano? "Isso é cruel. Ele está sob uma pressão enorme", diz Olivia. Daniel não arrisca previsões. Acha que Chico Xavier faz 1 milhão, talvez 1,5 milhão de espectadores. E mais não arrisca.

Inicialmente, ele seria "apenas" o produtor de Chico Xavier. Foi persuadido a dirigir. Saturnino Braga, da empresa Sony, jogou a carta decisiva ? disse que Daniel devia dirigir o filme "pelo Vanucci". Augusto César Vanucci foi como um irmão para Daniel Filho. Começaram juntos, integraram o grupo que fez a Globo. Vanucci era espírita, tinha verdadeira devoção pelo médium mineiro. E assim foi: "pelo Vanucci", Daniel dirigiu.

Consolações. Daniel Filho diz que não é um homem de fé. Ou melhor, tem fé, mas ela não passa necessariamente pela religião. O personagem Chico o atraiu por sua fé no humano, por sua pregação do amor. O repórter arrisca que o filme poderá conquistar o público pelo consolo que proporciona. Durante todo o tempo, Chico Xavier, nas suas três fases ? interpretado por Mateus Costa, Ângelo Antônio e Nelson Xavier ? está sempre elaborando a dor da perda, tentando compensar (e preencher) o vazio, dele mesmo e dos outros.

"É um grande personagem", avalia o diretor. Resumindo a experiência, ele diz que sai deste filme com fé ? esperança ? renovada no homem, mas permanece como sempre foi: ateu.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.