O filho negro de Herbert

Em 1986, três branquelos plugaram o rock nacional na tomada África e causaram um curto que alimenta os toca-discos do País até hoje. O trio atendia por Paralamas do Sucesso e buscava uma identidade sonora que o levasse além das influências Clash e Police, força predominante em seus primeiros trabalhos. Curiosamente, essas bandas não escondiam a admiração pela música africana. E foi assim, via Londres, que Herbert Vianna, João Barone e Bi Ribeiro chegaram à Jamaica, viajaram pela diáspora africana no Brasil e deram uma cara original ao rock do País. O resultado foi batizado de Selvagem?, obra-prima incontestável que será relançada no domingo que vem pela Discoteca Estadão. Os hits nós sambemos de cor: Alagados (Trentchtown) e A Novidade. As influências vão de Yellowman a Fela Kuti a Jeff Beck. Mas o que o disco representa com a sua mescla de dub, ska, guitarrada e letras políticas é mais importante: Selvagem? é o ponto de partida de O Rappa, Chico Science, Skank e outros grupos da década seguinte. Como não poderia deixar de ser, tem o dedo de Gil, que fez a letra de Novidade em menos de 12 horas, emprestou seu estúdio e indicou o produtor Liminha, cérebro do rock na época. É tocado e arranjado de forma impecável: Barone e Mestre Marçal dão o molho africano; Herbert desenha riffs mordazes e sola com elegância. Nada menos que um discaço. ,

Roberto Nascimento, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2011 | 00h00

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