O fetiche de uma velha América

Psicanálise elementar, caro leitor. O crítico francês Stephane Bouquet, ex-Cahiers du Cinéma, não é um fofoqueiro profissional como Marc Eliot (leia ao lado). Ele se debruça sobre o artista - e o Clint pós-Os Imperdoáveis. Chega a J. Edgar. O poderoso diretor do FBI vira um clone patético de Norman Bates (em Psicose, de Alfred Hitchcock).

O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2012 | 03h08

Bouquet parte do princípio de que só os filmes não justificam a reputação de Clint. Mas, se não, o que explica o culto? Os filmes não cessam de traçar autorretratos do artista. Por meio do retrato de um machão de carteirinha, Bouquet traça uma análise bastante crítica da América. Ou do que restou do sonho americano.

Assim como analisa o culto do falus na obra do autor - a Magnum de Dirty Harry não é 44 por acaso -, Bouquet tem um olhar arguto para o que considera a "fetichização" de Clint. Desdobrando-se em personagens como os pistoleiros de Sergio Leone, os policiais de Don Siegel, músicos como Bird e cineastas como John Huston (nos próprios filmes), ele se oferece à veneração dos espectadores. Na verdade, é a conclusão de Bouquet: o que os fãs veneram em Clint é o fetiche que representa, de uma (velha) América da qual insiste em ser o último representante. / L.C.M.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.