O eterno retorno à beleza da vida

"Só desta vez, sem fazer comentários sociais e políticos. Só quis contar uma linda história com o amor que sinto pela minha cidade e suas histórias incríveis", disse um bem-humorado Paolo Virzì ao Estado em 2010 durante o lançamento italiano de seu então mais novo filme, A Primeira Coisa Bela.

O Estado de S.Paulo

14 Julho 2012 | 03h09

Indicado da Itália para o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2011, demorou a chegar às salas do Brasil. Desde então, Virzì já rodou outro longa (Tutti i Santi Giorni), já voltou aos temas sociais, A Primeira Coisa Bela não levou o Oscar, mas o longa continua atual.

O diretor, que assim como Bruno (Valerio Mastandrea), protagonista de seu filme, nasceu e cresceu em Livorno, tradicional balneário na Toscana, diz que a história se passa em uma época em que o país perdia sua inocência, em que em plena revolução de costumes dos anos 70, uma sociedade ainda conservadora perdia seu romantismo e se tornava cínica. "Talvez isso tenha mesmo muito a ver com a Itália que somos hoje, que enfrenta uma crise e tem de rever seus valores. Tem de voltar ao passado para reencontrar sua alegria e otimismo."

Otimismo é o que não falta a Anna (Micaela Ramazzotti), mãe de Bruno. Dona de casa que não tem consciência do poder de sua beleza até que vence o concurso Miss Pancaldi (clube de praia de Livorno) como a Mais Bela Mamma. É então que o ciumento marido passa a não saber se controlar e acaba por colocar Anna e os filhos para fora de casa. Em vez de se lamentar, sai pela cidade com dos dois filhos pequenos (Bruno e Valeria) cantando a canção de Nicola Bari: La Prima Cosa Bella.

Foi esta mãe irracionalmente otimista com quem Bruno teve de crescer. E foi dela que ele também fugiu ao se mudar para Milão e se tornar um mal-humorado e incrédulo professor de literatura. E é esta mãe que um dia ele tem de reencontrar quando sua irmã o procura para dizer que ela está morrendo de câncer. "Como eu, Bruno tentou romper com sua cidade, mas tem de voltar a seu passado para reconstruir seu presente", diz Virzì. Em um mundo em colapso, prestes a morrer, Anna (vivida por Stefania Sandrelli na fase idosa) continua a cantar e a encantar. Anna é a metáfora para a velha Itália, a 'mátria' que, mesmo em crise, é misteriosamente vivaz e sedutora. / F.G.

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