O espantoso pop que fugiu da passarela

Stop Play Moon lança novo e azeitado álbum no Twitter

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2010 | 00h00

Criar climões para as passarelas foi só o começo. Agora, o Stop Play Moon, a banda paulistana que nasceu no rastro dos desfiles de Alexandre Herchcovitch e Marcelo Sommer, já engendra climões para a cidade toda, para a indierada toda. E a prova está em disco, se é que isso ainda faz algum sentido: Stop Play Moon (Entourage Records), coleção de 12 cadenciadas canções produzidas por Plínio Profeta que cabem com perfeição numa pista de dança, mas também no fio da navalha de um palco do Baixo Augusta.    

 

Áudio somOuça trechos da faixa The End

 

Banda faustofawcettianamente futurista. À frente, uma loira geométrica curitibana de 38 anos, Geanine Marques, que curtiu os últimos discos de Charlotte Gainsbourg e do LCD Soundsystem e não tem essa fixação toda por Lady Gaga ("É style, mas musicalmente não me interessa muito").

"Aqui ninguém mais é criança", diz Geanine. Ela se refere a si e aos colegas, Paulo Bega (teclados, baixo, sintetizadores, composição, bases) e Ricardo Athayde (guitarra), o núcleo central da banda, "três pessoas que nem tinham muita intimidade quando começaram a fazer músicas juntas". Paulo, ex-modelo como Geanine, acaba de ter filhas gêmeas. Ricardo vem das artes gráficas. A eles se somam, no palco, Gadelha e H.

O Stop Play Moon tem três anos de existência. "A gente se trombou por acaso, eu e o Paulo. Ele disse: "Vamos fazer algo juntos? Algo de música?" Aí encontramos o Ricardo. Fomos para a casa dele, e no mesmo dia já fizemos umas tracks. Paulo produz bastante, passa o dia inteiro compondo, tem grandes ideias."

No início, tudo foi batizado como Motel. Mas aí eles estavam assistindo ao Grammy Latino e viram que já havia uma banda mexicana chamada Motel, e desistiram. Geanine, que sempre trabalhou com Herchcovitch, já não se incomoda mais em ser apresentada primordialmente como "musa" do estilista. "Eu vou ser enterrada e vai estar lá na lápide: diva do Herchcovitch. Tudo bem. Se fosse um cara meia boca, mas eu sou fanzaça dele."

No final de 2009, o grupo tocou na abertura do show do grupo belga Vive la Fête, na The Week. Em março, na temporada de desfiles da SP Fashion Week, a banda tocou para o desfile da Rosa Chá. Com um pé aqui e outro ali, foi levando seu projeto adiante. Agora, já tem até um estúdio próprio, ali na Rua João Moura, e começa a abrir a grande angular para o mundo ? o primeiro gostinho foi no ano passado, quando fizeram uma microturnê e tocaram em Londres e Paris.

"Bancamos do próprio bolso, ainda não era uma turnê profissional. Mas valeu muito a pena, deu um gostinho de como pode ser essa vida na estrada." Em Londres, um colega bem-sucedido foi encontrar e conferir o som dos amigos ? Adriano, baterista do Cansei de Ser Sexy. "Claro que queremos cair no mundo. Seria demais. E o fato de a gente cantar em inglês, de ter essa sonoridade urbana, tudo isso facilita um pouco", ela diz.

Geanine não parece glamourizar nada com facilidade. É tranquila nas avaliações. Difícil usar superlativos para falar, mas ela usou quando falou do show do LCD Soundsystem no Via Funchal. "Foi um dos melhores que já vi." O novo álbum mostra que a banda já é um fato do novíssimo pop brasileiro, como o Copacabana Club. Já vinha evoluindo (tocou no Motomix, em 2008, e no Eletronika, de Belo Horizonte, no ano passado), mas o disco é azeitado, redondinho. Está cheio de guitarrinhas à The Edge, climões de eletropop, vocalizações bem trabalhadas (não tão deslumbradas com a bagaceira disco punk), mais melódico e trabalhado. "A gente não pensa: ah, não vamos fazer uma guitarra assim para não parecer eletro, ou outra guitarra assim para não parecer aquilo. A gente vai fazendo o que gosta. Às vezes, a gente parte apenas de um beat, uma linha de baixo, e aí vai chegando à nossa música", diz Geanine.

O coquetel pop do Stop Play Moon pode ressuscitar lembranças de coisas como Blondie (Dance Floor), U2 (Take It All e Faking Faces), Iggy Pop (Lucy). Plínio Profeta é um produtor, DJ, compositor, músico que já colocou as mãos em trabalhos de Lenine, Pedro Luís e A Parede, Xis e Fernanda Abreu e tem parcerias como Lucas Santtana, Davi Moraes e De Leve. Também ganhou o Grammy Latino pelo trabalho no álbum Falange Canibal, de Lenine. Deu um trato admirável no grupo. O álbum Stop Play Moon será lançado na primeira semana de agosto no Twitter ? quem segue a banda vai poder fazer o download gratuito das faixas. A primeira data da turnê do novo disco será no festival Tribaltech, em 21 de agosto, que rola na Arena Maeda, em Itu, São Paulo. A banda também acaba de gravar o clipe de Mysterious Way, dirigido por Dácio Pinheiro. / J.M.

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