O erotismo, por quem sabe

AS DEUSAS. Dir. de Walter Hugo Khouri. No Canal Brasil, à 0h30. Reprise, colorido 95 min

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2011 | 03h09

Faz oito anos que Walter Hugo Khouri morreu (em junho de 2003). O mais paulistano dos cineastas teve primeiro uma fase inspirada em Ingmar Bergman e, depois, outra em Michelangelo Antonioni, mas Khouri tinha preocupações próprias em sua estética. Interessava-lhe, mais que tudo, o erotismo. O personagem khouriano, invariavelmente chamado Marcelo, é o homem que atinge a ascese - ou seja, eleva-se - por meio da degradação sexual.

Khouri, ao se indagar sobre os homens, filmava as mulheres. Elas eram o verdadeiro objeto do seu desejo. Como Lilian Lemmertz e Kate Hansen em As Deusas. O filme de 1972 é sobre a ligação de duas mulheres, a insegura Ângela (Lilian) e sua psicanalista, a jovem Ana (Kate). Vão parar numa casa de campo. Cria-se o triângulo - com o marido de Ângela, Mário Benvenutti.

O cinema de Khouri é de climas. O erotismo invade as imagens. A água participa com seus múltiplos significados. É na água, na piscina, que Ana se revela o elo frágil da cadeia. A psicanalista torna-se dependente das artimanhas do casal. Com A Noite Vazia, Corpo Ardente e As Amorosas, As Deusas é um dos clássicos do autor.

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