O equilíbrio da leveza

O equilíbrio da leveza

Kazuo Sejima e Ryue Nishizawa, japoneses vencedores do Pritzker, impressionam com obras de aparente simplicidade

Maria Hirszman, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2010 | 00h00

Uma arquitetura "delicada e poderosa, precisa e fluida". Essa foi a forma sintética usada pelo júri do prêmio Pritzker ao anunciar, na segunda-feira, que os vencedores da edição deste ano eram Kazuo Sejima e Ryue Nishizawa, arquitetos japoneses que vêm conquistando admiradores na América, Europa e Ásia com trabalhos de grande impacto, sobriedade e leveza. A cerimônia de entrega do prêmio, no valor de US$ 100 mil, ocorre em maio, na Ellis Island, de Nova York.

Enquanto isso, multiplicam-se por todo o mundo os artigos e comentários elogiosos sobre o escritório batizado de Sanaa (Sejima and Nishizawa and Associates), criado em 1995 e que em tão breve tempo acumula em seu currículo obras marcantes, como o Museu de Arte Contemporânea do século 21, em Kanazawa (2004), o Pavilhão de Vidro do Museu de Arte de Toledo, Ohio (2006) e o New Museum, em Nova York (2007). A dupla também tem vários projetos em andamento, como a filial do Louvre em Lens, na França, cuja inauguração está prevista para 2012, e a construção de um polo multifuncional para o museu português de Serralves. Também foram agraciados com o Leão de Ouro na Bienal de Veneza de 2004.

A mostra, aliás, é outro trunfo para reforçar o protagonismo da Sanaa no cenário internacional, já que a curadoria da edição 2010 da Bienal de Arquitetura de Veneza está a cargo de Kazuo Sejima. Nascida em 1956, a arquiteta é uma década mais velha que seu companheiro de trabalho. Ambos desenvolvem também individualmente trabalhos-solo, projetos mais simples para casas, lojas e escritórios. Mas garantem que as grandes obras nascem de um debate intenso e ampla reflexão envolvendo toda a equipe. Também desenvolvem peças de mobiliário e outros itens de design. Parte de sua produção, de objetos e maquetes, pôde ser vista em exposição realizada em 2008 no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

Transparências. Dentre as características marcantes dos prédios mais renomados da Sanaa estão uma grande leveza das formas, um permanente jogo de transparências - com uso recorrente e sofisticado do vidro e de planos abertos -, bem como uma adaptação cuidadosa ao projeto e ao entorno do prédio. A tal ponto que os jurados responsáveis pela premiação afirmam que seus prédios se destacam como "montanhas na paisagem". Como diz o jornal francês Le Monde, é apenas aparente a simplicidade de suas obras, já que são pontuadas por escolhas e estratégias altamente sofisticadas, como, por exemplo, o uso de ousadas coberturas de vidro, a sobreposição de galerias de diferentes dimensões rompendo com o tradicional padrão retilíneo dos edifícios urbanos, o esfacelamento das fronteiras entre o interior e o exterior ou o recurso a materiais inovadores e de alta tecnologia.

Esta é a quarta vez que os japoneses ganham o Pritzker, criado em 1979 pela Fundação Hyatt e que, desde então, vem se firmando como uma espécie de Prêmio Nobel da arquitetura. Grandes nomes já foram agraciados com a premiação, como Frank O. Gehry (1989), Zaha Hadid (2004) e Jean Nouvel (2008). Dois brasileiros também foram contemplados: Oscar Niemeyer (que, em 1988, dividiu o prêmio com o americano Gordon Bunschaft) e Paulo Mendes da Rocha, premiado em 2006 pelo conjunto de sua obra.

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