O equatariano cordero e a sua salada de gêneros

Pouco conhecido, mesmo entre cinéfilos de carteirinha, o cinema equatoriano não tem espaço no circuito e depende de eventos como o CineSul e o Festival Latino para chegar ao público brasileiro. A exceção é o diretor mais famoso do país - Sebastián Cordero. Seu longa Ratas, Ratones, Rateros, sobre jovens delinquentes, teve exibições em mostras e chegou a passar na TV - com um título que o descaracterizava, Armadilhas do Destino.

O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2012 | 03h09

Cordero participa agora do 7.º Festival com Pescador. O filme nasce da interseção da estrada - ela tem sido a metáfora do evento - com o que não deixa de ser o cinema de gênero, por meio de gângsteres. Pescador não nega o título ao contar a história desse sujeito que habita uma aldeia pesqueira, na costa equatoriana. Para compensar a ausência do pai, a mãe incutiu nele a falsa ideia de que tem ascendência aristocrática, e ele acredita.

É um tipo bizarro, meio clownesco - principalmente no meio em que vive - e esse humor impregna o filme, mesmo que um naufrágio, e a descoberta de uma fortuna em droga, venham complicar a vida no vilarejo, com a entrada em cena de 'ratones', e inclusive despertando a cobiça da mulher amada pelo pescador, que sonha colocar as mãos no dinheiro para cair no mundo.

O curioso é que o título nacional de Armadilhas do Destino se ajusta muito mais a essa história que extrapola definições. É ação, drama, comédia, tudo ao mesmo tempo e isso faz sentido porque Cordero, nascido em Quito, em 1972, nunca negou que foi Os Caçadores da Arca Perdida, de Steven Spielberg, a que assistiu ainda criança, que despertou nele, desde cedo, o amor pelo cinema.

Andrés Crespo faz o protagonista e o filme teve boas críticas no Festival de San Sebastián do ano passado. A despeito de suas aparentes extravagância, Cordero tem o pé no chão e capta, com propriedade, o colorido local do país. / L.C.M.

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