JF Diorio/AE
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O entardecer de Jon Bon Jovi

Crítica

Roberto Nascimento, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2010 | 00h00

Jon Bon Jovi chegou à meia idade. Seus pôsteres não decoram mais as paredes de fãs histéricas. Seu som mudou para um rock pé no chão, menos reluzente, que fala ao proletariado americano em vez de abraçar com abandono a efervescência libertina do gênero.

Mas não foi por isso que suspiros, moças e jaquetas de couro deixaram de comparecer em massa ao estádio do Morumbi, na noite de quarta-feira, para um show em que o roqueiro-colírio de 48 anos desfilou sua extensa lista de greatest hits e canções do novo disco The Circle.

A banda de Bon Jovi, que, fora o baixista, toca junto desde a formação do grupo, no início dos anos 80, teve a arrancada de um Ford Galaxy. Custou para ir de zero a cem, mas quando chegou lá, por volta da sexta música, manteve o ímpeto com consistência em um show que durou quase três horas.

Os solos eletrizantes de Ritchie Sambora foram a injeção eletrônica. Uma das últimas grandes feras do rock virtuosístico dos anos 80, o guitarrista arrepiou em hits como Bad Medicine e You Give Love a Bad Name até que o cantor entrasse de corpo e alma no show. Curiosamente, e talvez como um indicador de que realmente os tempos mudaram, isso aconteceu, em grande parte, nas baladas, que foram os pontos altos do show. Quando fala de amor, mansinho, ao coração de suas tietes, Bon Jovi se entrega como pouquíssimos roqueiros com tantos anos de carreira. Em Superman Tonight, do novo disco, assim como nas antológicas Always e I"ll Be There For You, o cantor transparece uma sinceridade emocional bonita, transformando canções que estão a dois palmos da pieguice em hinos apaixonados e honestos - no Morumbi, a trilha de beijinhos e carinhos das moças acompanhadas.

Desde seu apogeu, no final dos anos 80, o frenesi que Bon Jovi causa numa multidão feminina não perde a força. Basta um rebolado e meio sorriso insinuante para que um estádio lotado venha a baixo. O roqueiro sabe disso e jogou sujo com as moças ao fazer um cover do hit country Pretty Woman. Mas seu charme é natural e, perto dos 50, tem um quê curtido que derrete a mulherada de todas as gerações.

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