O encontro de Tomie e Mitsunashi

Na ativa aos 98 anos - e sem parada -, a artista Tomie Ohtake exibe, na Galeria Deco, uma série de seis telas inéditas, criadas em 2012. São todas azuis, com uma variação sutil de formas entre cada uma. "O azul é uma cor profunda e, por outro lado, muito transparente", diz a pintora e escultora. "Lembra muito o mar e o mar foi uma imagem muito presente um ano atrás no Japão", continua Tomie, que sempre, em poucas palavras, agora se refere à força trágica dos tsunamis que atingiram seu país natal.

O Estado de S.Paulo

30 de março de 2012 | 03h09

As telas de Tomie Ohtake integram uma das exposições que a Galeria Deco acaba de inaugurar como parte das comemorações de seus 30 anos de atividade em São Paulo. No sobrado no bairro da Bela Vista, o visitante ainda encontrará uma instalação nova do artista japonês Nobuo Mitsunashi, um barco de cerca de cinco metros construído com materiais como chumbo, madeira, argila, papel e fibras. São criações de diálogo, de encontro de referências, naturalmente, à água.

Tomie Ohtake, nascida em Kyoto, em 1913, chegou ao Brasil com 22 anos. Uma das mais importantes criadoras no País, ela é representada, na verdade, pela Galeria Nara Roesler. Mas ao ser convidada para participar das comemorações da Deco, criada, em 1981, por Hideko Suzuki Taguchi e René Sadayuki Taguchi como espaço dedicado à arte contemporânea japonesa (tendo como destaque, por exemplo, a exibição de trabalhos de Yayoi Kusama) e nipo-brasileira, a artista resolveu emprestar uma série de suas mais recentes pinturas. O movimento de formas diferentes, como círculos ou trechos de losangos sobre azul e claros e escuros, só pode ser percebido aos poucos, em lenta vibração.

Já Mitsunashi, nascido em 1960 em Tóquio, é um criador de presença em São Paulo. Basta lembrar de suas belas pirâmides de pedra sobre água instaladas, permanentemente no jardim da Luz, na Pinacoteca do Estado; de sua participação na 21.ª Bienal de São Paulo, em 1991; e de suas mostras como Hanazumi, exibida em 2005 no Instituto Tomie Ohtake - um painel com rosas, frutas e legumes carbonizados que remetia a uma técnica antiga e simbólica japonesa.

Ainda dentro da programação de aniversário, a Galeria Deco acaba de inaugurar Olhares Oblíquos, coletiva com obras de Albano Afonso, Adrianne Gallinari, Cris Bierrenbach, Felipe Barbosa, Futoshi Yoshizawa, Kako, Lia Chaia, Mazu, Roberto Okinaka, Rosana Ricalde, Sandra Cinto e Takashi Fukushima, que promovem o diálogo entre linguagens japonesas e brasileiras. / C.M.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.