O dono da história

Festival homenageia argentino Daniel Veronese, que mostra em Santos suas versões de Ibsen e Chekhov

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2010 | 00h00

Não é só no cinema, festejado pela crítica e com boa recepção nas bilheterias, que os argentinos andam a levar vantagem. Também no teatro, a produção dos portenhos começa a fazer inveja aos vizinhos sul-americanos. Nos últimos anos, a cena de Buenos Aires tem se mostrado robusta, multifacetada e, sobretudo, plural. Capaz de abrigar montagens independentes, dissonantes, mas sem fechar as portas às vertentes tradicionais.

Figura de destaque nesse contexto é Daniel Veronese. Dono de uma das mais profícuas trajetórias de seu país, o diretor vem ao Brasil na condição de homenageado da 1.ª edição do Mirada (Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos) e deve mostrar por aqui não apenas um, mas três de seus novos trabalhos.

Montagens em que retoma textos clássicos do teatro realista do século 19, apresentando leituras bastante particulares de Casa de Bonecas e Hedda Gabler, do norueguês Henrik Ibsen, e Tio Vânia, do russo Anton Chekhov.

Entretido entre ensaios e preparativos para a viagem a São Paulo, Veronese disse que não teria tempo para uma entrevista por telefone. "Não tenho horários livres e fixos." Mas se dispôs a responder a uma extensa lista de perguntas por e-mail. Leia a seguir alguns trechos.

Nos três espetáculos que você deve trazer ao Brasil, dentro do evento Mirada, acompanharemos o seu retorno a textos clássicos: dois de Ibsen e um de Chekhov. Por que voltar aos clássicos?

Porque pretendo descobrir o que torna esses textos clássicos e por que voltamos sempre a eles. Simplesmente isso. Porque é como se tivessem sido feitos, em geral, de boa madeira.

Em suas releituras de Hedda Gabler e Casa de Bonecas, você toma Ibsen para tentar abordar a questão do gênero. Apesar de todas as mudanças ocorridas no último século, você ainda crê que seja necessário discutir essa temática? Que tipo de questionamento você gostaria de levantar com esses espetáculos?

Creio que hoje, diferentemente da época de Ibsen, uma mulher pode ocupar lugares. Mas isso só acontece porque os homens os cedem e elas estão sempre sendo observadas, como se julgadas para ver se desempenham bem suas funções ou se equivocam.

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