O divisor de águas na música nacional

Quando Baden e Vinicius se reuniram na casa do poeta em meados dos anos 1960 para, além de "secar" quantidades de uísque capazes de alimentar uma hidrelétrica, também compor aqueles sambas mergulhados na vivência dos dois com a religiosidade do candomblé, mal sabiam o "estrago" que estavam por cometer.

Lucas Nobile, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2010 | 00h00

Todos os encantos apresentados a Vinicius pela figura de Mãe Menininha do Gantois apareciam no feitiço de versos certeiros, aliados a um violão completamente novo de Baden. Assim, toda uma geração encabeçada por Chico Buarque, Edu Lobo, Gilberto Gil e Caetano Veloso, deparava-se com uma ruptura brutal, um dos turning points mais relevantes da história da música brasileira. As referências de composição até então ficavam amarradas à inventividade de outrora das aberturas harmônicas, das melodias de fácil assimilação e das letras comuns a todos, exploradas na bossa nova.

O que importava era o choque, mesmo que a qualidade dos registros do álbum Os Afro-Sambas de Baden e Vinicius, lançado em 1966, pela Forma, que ainda tinha o coro das meninas do Quarteto em Cy, não fosse das melhores. Quem conta é o próprio Philippe Baden Powell, revelando os problemas enfrentados na época dos registros originais. "Eles tiveram muitas dificuldades para gravar, mas tinham de cumprir com o contrato e com o tempo estipulado pela gravadora. Havia chovido dentro do estúdio e eles tiveram de gravar em cima de uns caixotes para não tomar choque, imagina?".

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