O discurso do rei estende seu reinado

Favorito ao Oscar, filme é o grande vencedor do Bafta, da Academia Inglesa, com 7 estatuetas

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2011 | 00h00

A 12 dias da cerimônia de entrega do Oscar, O Discurso do Rei consolida-se como franco favorito aos principais prêmios da Academia de Hollywood. Depois de faturar um Globo de Ouro e a estatueta do sindicato dos atores (ambos pela atuação de Colin Firth) e de ser eleito o longa do ano pela liga dos produtores, no domingo foi a vez do Bafta, o Oscar britânico, aumentar a coleção da cinebiografia dirigida por Tom Hooper: foram sete prêmios, entre eles, filme, ator (Firth) e ator e atriz coadjuvantes (Geoffrey Rush e Helena Bonham Carter).

"Não acredito que seja o fascínio pela realeza o motivo de tantas glórias", comentou o roteirista de O Discurso do Rei, David Seidler, também premiado. "Nem pelas plumas de avestruz ou pelos laços de ouro. Na verdade, acredito que seja pela história de um homem que muda seu destino." O longa mostra como o rei George VI enfrentou a gagueira até assumir o trono britânico, no fim da década de 1930, quando a 2.ª Guerra Mundial já deixava de ser apenas uma ameaça.

Depois de também superar o mesmo problema quando criança, Seidler contou ter trabalhado no roteiro durante 30 anos. E o reconhecimento agora é simplesmente sublime. "Para um gago, ser ouvido é uma sensação maravilhosa."

Nada surpreendente foi a vitória de Colin Firth, considerado favorito em todas as premiações de que participa. Notável mesmo foi ter recebido seu segundo Bafta seguido, depois de vencer no ano passado por Direito de Amar. "Gosto muito de vir aqui", brincou o ator, ao receber a estatueta.

Firth lembrou-se da primeira vez que se reuniu com o diretor Tom Hooper para tratar da produção. "Deixei de ir a uma consulta médica, mas logo a direção de Tom foi tão terapêutica que nem precisei mais ir", comentou.

Humor afiado também marcou o discurso de Helena Bonham Carter, que interpreta a mulher do futuro rei. "Francamente, penso que eu deveria agradecer à família real por ter proporcionado maravilhas à minha carreira", disse ela, que viveu a rainha em Alice no País das Maravilhas, dirigido por seu marido, Tim Burton. "Ao menos agora, posso interpretar monarcas com cabeças bem menores." E ainda insistiu no tema: "Não sei se a rainha Elizabeth gostou do filme, mas certamente ela não poderá mandar cortar nossas cabeças."

Tom Hooper, no entanto, confirmou que o palácio de Buckingham aprovou O Discurso do Rei, considerando-o "particularmente gratificante". "Trata-se de um selo de aprovação muito importante para mim e para Colin", disse o cineasta.

Hooper não ganhou o prêmio de direção, conferido a David Fincher, por A Rede Social. O filme, aliás, vem perdendo terreno na bolsa de apostas e, no Oscar, é esperado que leve apenas estatuetas de direção e roteiro adaptado, entre as mais expressivas.

Já Natalie Portman confirmou também ser favorita e foi escolhida por Cisne Negro a melhor atriz do Bafta. Como está em avançado período de gravidez, ela não viajou a Londres para receber o prêmio.

Entre as condecorações especiais, os destaques foram Christopher Lee, famoso por filmes de Drácula, recebeu um prêmio pela sua carreira de seis décadas. E a escritora JK Rowling foi festejada pela contribuição que suas aventuras de Harry Potter trouxeram ao cinema britânico. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

PREMIADOS

Filme

O Discurso do Rei

Filme britânico

O Discurso do Rei

Ator

Colin Firth (O Discurso do Rei)

Atriz

Natalie Portman (Cisne Negro)

Diretor

David Fincher (A Rede Social)

Animação

Toy Story 3

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