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O dia da reinvenção de Macy

Cantora traz na bagagem sucessos, covers e músicas do último CD, The Sellout, o quinto de estúdio da carreira

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2011 | 00h00

Lançado há pouco mais de um ano, The Sellout é o quinto disco de estúdio de Macy Gray. Puxado pela edificante Beauty In The World, tem cores tão distintas quanto a participação da jovem cantora Romika (na sofrida Still Hurts), o hard rock do Velvet Revolver (Kissed It) e o romantismo trazido pela estrela do R&B Bobby Brown - o dueto fofo dos dois em Real Love, cuja letra diz "eu vou te beijar mesmo quando você estiver gripado" tem clipe na rede, assim como Beauty.

Dona de dois Grammys, Macy já vendeu 15 milhões de discos. Nenhuma música se equiparou ao primeiro sucesso, I Try, de On How Life Is (1999). Na internet, Macy confessa que depois do fracasso do último CD, Big (2007), resolveu seguir o que todos estavam fazendo: contratar um produtor bombado, chamar compositores estourados, ficar magrinha para as fotos. "Mas ninguém retornou minhas ligações."

Parou de ouvir os outros, voltando-se a si mesma. Deprimida, fez letras que expressavam seus sentimentos íntimos. Sarou com a ajuda das crianças, e o sorriso se reabriu.

"Ficou um álbum incrível. Ainda não foi tão ouvido quanto eu gostaria. Tudo que posso fazer é falar de onde estou nesse momento da minha vida, na minha carreira, não posso ir pela opinião dos outros", conta.

Ela não sai do estúdio. No momento, trabalha em três CDs simultaneamente: um com dez covers, que deve ser lançado em fevereiro, um remake (faz segredo quanto ao original) e um de inéditas. No Rio, além de prometer covers - os mais conhecidos são o de Creep, do Radiohead, Groove is in the Heart, do Dee Lite, e Do Ya Think I"m Sexy, do Rod Stewart -, bem que gostaria de mostrar seu set de DJ, em que privilegia os anos 60 e "o que não toca na rádio".

Furão. As madrugadas no Back2Black terminarão com DJs, mas Macy só está confirmada no palco Estação Oi da centenária Leopoldina. Para cinco mil pessoas, o espaço no sábado terá Chaka Khan. O palco principal, de dezoito metros de boca de cena e doze de altura, montado num espaço que nas duas edições anteriores era um estacionamento, serviria para acomodar os 15 mil fãs de Prince que agora buscam reaver os R$ 250 do ingresso. Virou latifúndio improdutivo.

"Em 30 anos de experiência, nunca vi uma coisa tão maluca. As conversas começaram em dezembro e fechamos em abril. Eles disseram que ele queria vir, mas precisava adiar o show. Como assim? Adiar o festival inteiro?", lamentava ontem a produtora portuguesa Connie Lopes, idealizadora do Back2Black.

Uma notícia positiva ela tem: graças a Gilberto Gil, o festival chega ao Old Billingsgate, em Londres, em 2012, pouco antes das Olimpíadas. Gil foi convidado a ser curador de um evento lá e sugeriu o que já havia dado certo no Rio: diferentes vertentes da cultura negra feita no mundo, intervenções de artistas plásticos, holofotes voltados à África.

E palestras de alto nível (sob a curadoria do escritor angolano José Eduardo Agualusa) a discutir temas relevantes. Este ano, estão na pauta a democratização de países do norte do continente, o poder das redes sociais, o combate à violência, o binômio meio ambiente-desenvolvimento, a relação centro-periferia.

Outra boa nova que Connie espera poder divulgar é a realização de uma versão completa em São Paulo em 2012. Na terça-feira que vem, o Bourbon Street verá apenas um aperitivo: o Tinariwen, grupo de músicos tuaregues vindos do Deserto do Saara, sucesso na Europa, e o cantor de soul norte-americano de origem panamenha Aloe Blacc.

No Rio, Gilberto Gil abre para o Tinariwen e Macy Gray. A festança negra - são mais de 30 atrações - só acaba domingo, com Seu Jorge & Almaz, seguidos de Bailão Black com quatro Djs.

BACK2BLACK

Estação Leopoldina. Av. Francisco Bicalho, s/nº, Rio de Janeiro. 6ª, 20h; sáb., 20h30; dom., 18h30. R$ 100/ R$ 250.

Bourbon Street. Rua dos Chanés, 127, tel. (11) 5095-6100. 3ª, 21h. R$ 70/ R$ 120

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