O dedo mindinho segundo Mario Prata

Mario Prata foi o segundo dos cincoescritores convidados pela editora Objetiva a aceitar participarda coleção Cinco Dedos de Prosa, em que cada um desenvolve umtema sobre um dos dedos da mão. Como Fernanda Young escolhera omédio, ele não pensou muito para se decidir pelo mindinho."Sempre me impressionaram aquelas pessoas que deixam crescer aunha desse dedo, como os cobradores de ônibus", comentou."Achei que daria um romance interessante." O resultado foiBuscando o seu Mindinho (244 páginas, R$ 22,90). Como a história ainda não estava nítida em sua mente, oprimeiro passo do escritor foi pesquisar na internet todas aspáginas eletrônicas que fizessem uma referência, mínima quefosse, ao mindinho. A surpresa foi grande - apesar das inúmerasreferências eróticas, havia também estudos médicos e notíciasdiversas. "Fiquei entusiasmado e decidi aproveitar praticamentetodo o material", conta Prata, que transformou seu livro em umalmanaque auricular ao acrescentar, como últimos capítulos, asprincipais descobertas. É curioso, aliás, notar que a palavra"mindinho" aparece destacada em negrito em toda a obra,justamente como acontece nos sites de pesquisa da net. São retratadas, assim, histórias curiosas, como o textoque diz que as áreas do cérebro dedicadas aos movimentos dosdedos da mão esquerda são maiores entre instrumentistas destrosde cordas do que entre não-músicos. "Quando li isso, lembrei-mede uma entrevista do Jô Soares com um músico de jazz que, aoperder o dedo mindinho, desistiu de tocar piano e passou para aguitarra", conta o escritor, que não esqueceu de histórias maistrágicas - como a do grande goleiro Castilho, do Fluminense, quenão hesitou em se submeter a uma amputação de parte do dedomindinho para que pudesse se recuperar mais rapidamente de umacontusão. Um fato semelhante ao de Clyde Barrow, personageminterpretado por Warren Beatty no filme Bonnie e Clyde, quedecepa o mindinho para fugir do serviço militar. O passo seguinte foi trocar idéias com outros escritoressobre o assunto. Mario Prata correspondeu-se por e-mail com JoãoUbaldo Ribeiro, que lembrou de histórias pitorescas como a deamigos que utilizavam a unha comprida do mindinho para coçar aorelha ou para tirar sujeira do umbigo. "Não pensei duas vezesem utilizar o material, depois de devidamente consultar oUbaldo", diverte-se o escritor. O lançamento do livro estava previsto para novembro doano passado, mas a editora decidiu guardá-lo para a Bienal, queocorreu em São Paulo, em abril. Com isso, Prata decidiu fazermais uma modificação. Apesar de satisfeito com a pesquisa e ostextos escolhidos, ele sentia que faltava um assunto ou umpersonagem que unisse todo o material. "Foi quando pensei em criar o Mindinho, um homem quefizera as mesmas pesquisas e que, antes de morrer, me deixa todoo material para ser publicado", conta. Para completar o grupo,Prata utilizou outros personagens inspirados em seus amigos deadolescência, vivida na cidade paulista de Lins, que formam ogrupo de convivência de Mindinho. "Acabou sendo uma fraternahomenagem."

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