O "Davi" de Michelangelo passa por tomografia

Após meses de paciente trabalho para limpar a superfície de mármore do "Davi" de Michelangelo, uma das estátuas mais famosas do mundo, alguns especialistas dizem que a restauração melhorou a aparência de uma das principais obras-primas da Renacença. A estátua do Davi que venceu Golias recebe anualmente cerca de 1,2 milhões de visitantes, segundo informou Franca Falletti, a diretora da Galleria dell?Accademia de Firenze, onde fica em exposição. A escultura estará totalmente restaurada em fins de maio, quatro meses antes de completar o aniversário de 500 anos desde que foi apresentada ao público pela primeira vez.Mas há ainda um grande problema por ser resolvido e que é a fragilidade dos tornozelos da estátua que suportam quase seis toneladas de peso há 500 anos. Franca anunciou que Davi passará por um exame de tomografia computadorizada para avaliar as condições de seus tornozelos. Durante os serviços de limpeza, foram detectadas muitas trincas no tornozelo esquerdo. Alguns críticos de arte, como o norte-americano James Beck, professor da Universidade de Columbia, disseram o ano passado que os métodos usados na restauração eram potencialmente perigosos. Beck liderou uma pedido enviado às autoridades italianas para formar um grupo internacional para estudar a "saúde" da estátua. As autoridades ignoraram o pedido.Uma respeitada restauradora, Agnese Parronchi, chegou a abandonar a tarefa no ano passado, recusando-se a usar um método de limpeza que poderia danificar a obra. Ela foi substituída por Cinzia Parnigoni, que disse "não ter dúvidas"sobre seu trabalho, "pois o método que escolhi foi o correto". Ela colocou uma guirlanda de mimosas na estátua para comemorar ontem o Dia Internacional da Mulher.Entrevistada pela Associated Press Television News, Agnese explicou que primeiramente aplicou sobre o mármore uma máscara com polpa de celulose e argila a fim de absorver a sugeira. "Fiquei amiga da estátua", após seis meses de trabalho, disse a especialista. Ela disse ainda que a "restauração deu uniformidade e continuidade à superfície da obra, creio que houve uma melhora real". Foram usados ainda para limpar a escultura água destilada e aguarrás, sobretudo nas partes que tinham ficado amareladas com a cera. E para preencher os pequenos buracos próprios do mármore centenário, a especialista usou gesso.Encomendado ao gênio renascentista Michelangelo Buonarroti (1475-1564) pelo Governo de Florença como símbolo do poder e liberdade da então poderosa República, Davi foi exposto pela primeira vez ao público no dia 8 de setembro de 1504. Até 1873, ficou na Piazza Signoria, a praça principal de Florença. Mas o medo sobre o efeito que poderia ter o clima sobre a obra fizeram com que ela fosse transferida para a Galleria dell?Accademia de Firenze, Falletti disse que é possível que se encontre um novo lugar para a estátua, com o propósito de que o "Davi" seja menos afetado pelas condições ambientais.

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