O contrabaixo em um mundo de invenção

O francês Jean-Philippe Viret lança disco com obras em que seu instrumento dialoga com violino, viola e violocelo

JOÃO MARCOS COELHO , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2013 | 02h06

O que torna uma música interessante? Uma escrita encorpada, a instrumentação diferente, a originalidade. Em suma, qualidade de invenção. É o que acontece num projeto diferenciado do contrabaixista francês Jean-Philippe Viret. Ele está com 53 anos, em plena maturidade. Estudou contrabaixo no Conservatório de Bordeaux e participou da Orquestra de Contrabaixos, em Paris, com a qual gravou seis CDs. Tocou com Lee Konitz, Kenny Wheeler, Walter Bishop e outros grandes do jazz moderno. Integrou o trio do venerando violinista Stéphane Grappelli. Na última década, tocou no trio do pianista Edouard Ferlet. Das sete peças de Supplément d'Âme, seis nasceram como trilhas sonoras para curtas-metragens.

O que as une é a formação instrumental, um quarteto de cordas que soa diferente porque substitui o segundo violino pelo contrabaixo. As sonoridades ficam muito interessantes e inovadoras. Além disso, o grupo mistura técnicas estendidas típicas da música contemporânea com pitadas sutis da sintaxe do jazz moderno. Os títulos são um atrativo à parte. Os franceses adoram sofisticar títulos. Os de Viret são Ésthétique ou Pathétique?, Coalescence, Justice e Le Rêve Usurpé. Os ótimos integrantes do quarteto são: Sébastien Surel (violino), David Gaillard (viola), Éric-Marie Couturier (violoncelo) e Viret no contrabaixo. Na primeira, Viret alterna-se entre as cordas e o batuque no corpo do instrumento; na segunda, violino e violoncelo terçam lanças sob acompanhamento da viola e do contrabaixo; em Justice, há momentos (poucos) de improviso livre simultâneo; e Le Rêve Usurpé é um sólido coral.

Ironia: a única faixa não assinada por Viret é de tal maneira encantadora que se sobrepõe às demais. Trata-se de uma recriação de As Barricadas Misteriosas, uma das mais famosas peças para cravo de François Couperin, o genial cravista francês do século 18. Em boa parte do tempo, todos tocam pizzicato; depois a melodia passeia pelo violino, viola, violoncelo e contrabaixo, sempre com o acompanhamento em pizzicato. Irresistível.

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