O combate sem fim de Antunes Filho

Em 1998, o Centro de Pesquisa Teatral (CPT), tendo à frente o diretor Antunes Filho, inaugurou a "Nova Teatralidade". A partir de uma severa crítica à situação dramática da interpretação no teatro, na televisão e no cinema brasileiros, nascia a primeira versão do projeto Prêt-à-Porter, visando a limpar o ator dos vícios e estereótipos mortuários da arte de representar. Desde o início, foi feito para poucos espectadores, por poucos atores e em espaços alternativos - com um mínimo de luz e cenário.Antunes, em 52 anos de carreira, marcou a cena brasileira com espetáculos antológicos como Macunaíma, Nova Velha História e Paraíso Zona Norte, mas continua em busca de um novo teatro - novo que nada tem a ver com a superficialidade da novidade nem com a factualidade do modismo.Atualmente, sobre sua mesa na sala de recepção no 7.º andar do CPT, no Sesc Consolação, encontra-se o livro de Robert Kurz Os Últimos Combates - que analisa sob lâmina crítica os tempos atuais, tão avessos às teorias com pretensão explicativa e a qualquer aparato teórico-conceitual, para manter a chamada "democracia de mercado", que rebaixa a história e a filosofia a meros objetos de uso capitalista.O encenador critica com ferocidade o atual estado de coisas. "O fato de vivermos numa cultura mediada transforma nosso grau de realidade em coisa indireta. Mas como encontrar a coisa real se hoje a arte mais parece um catálogo de mercadorias e o artista virou objeto de lances estéticos?"A propósito da estréia de Prêt-à-Porter 5, amanhã, que ele considera um trabalho com "mais densidade dramática e de interpretação", o diretor deu seu depoimento ao Estado, fumando vez ou outra seu indefectível cachimbo.

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