"O Clone" mexe com temas polêmicos

Estréia amanhã, na Globo, O Clone, novela de Glória Perez com direção de Jayme Monjardim, Marcos Schechtman e Teresa Lampreia. Sai o universo de Jorge Amado explorado em Porto dos Milagres, entra a atualidade de temas como a clonagem humana. Caberá a Murilo Benício, nos papéis dos gêmeos Diogo e Lucas e do clone Leandro, a maior parte do trabalho braçal. Mas Giovanna Antonelli, na pele da mocinha Jade, terá uma missão igualmente espinhosa, na qual o carisma e a simpatia que fizeram da prostituta Capitu a personagem favorita de Laços de Família serão mais uma vez postos à prova. Como membro mais destacado de uma numerosa família islâmica, Giovanna terá que conquistar o público em plena campanha contra os fundamentalistas que derrubaram o World Trade Center em Nova York. Stênio Garcia, Letícia Sabatella, Antônio Calloni, Eliane Giardini, Dalton Vigh, Nívea Stelmann e Jandira Martini completam o núcleo que, segundo a autora, servirá para dizer não ao preconceito. "Acho até muito oportuno que a gente tenha essa família no ar", diz, ressalvando que não pretende discutir política. A escolha do Marrocos como locação internacional, segundo Glória, deveu-se ao fato do deserto, com suas lendas e tradições exóticas, sempre ter feito parte das fantasias do homem ocidental. Nas novelas foi assim desde Glória Magadan, embora nenhuma outra novela tenha cruzado o planeta para registrar imagens reais antes. É do choque de culturas que surge a impossibilidade do amor entre Lucas e Jade, "um Romeu e Julieta", na definição de Giovanna Antonelli, que apesar das aulas de dança do ventre e dos diversos workshops organizados pela produção garante: "Só descobri a Jade quando cheguei lá". A equipe de vinte brasileiros liderada por Jayme Monjardim e reforçada por profissionais locais, passou mais de um mês trabalhando no exterior. Foram registradas imagens de Marrakech, Quarzazate, Erfoud, Fès e El Jadida. As cores fortes da região, que se observa nas chamadas da novela, vêm sendo perseguidas também por aqui. "Estamos usando uma textura diferente, trabalhando com uma temperatura de cor bastante alta. Nas externas, usamos uma média de 27 filtros para nos aproximar da luz do Marrocos. E há sempre vários pontos de luz, como janelas e abajures, como referência nas gravações em estúdio", explica o diretor de fotografia, Adriano Calheiro Valentim. "Podem ter certeza de que essa qualidade será mantida ao longo de toda a novela. Não é à toa que eu, o Marcos e a Teresa somos conhecidos como os três tarados do pôr-do-sol", brinca Monjardim, que promete surpreender também com os stock shots do Rio de Janeiro, onde se passam a segunda e a terceira fases da história. Os efeitos especiais também merecem destaque, numa trama que começa no início da década de 80 e atravessa duas passagens de tempo até chegar aos dias atuais. Muitos personagens só aparecem na terceira fase. Mas os atores que entram na primeira passaram por um processo de rejuvenescimento, sob a supervisão da maquiadora americana Lynn Barber, de Conduzindo Miss Daisy. Foram os casos de Vera Fischer, Reginaldo Faria, Stênio Garcia, Juca de Oliveira e do próprio Murilo Benício, que, desdobrando-se em três personagens, aos 30 anos terá que convencer tanto como um jovem de 18 quanto como um homem de 40. "Acho que o Lucas maduro será o mais difícil, pois não sei como é", avalia o ator. Vai ser muita novidade junta. E nem será preciso esperar para ver.

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