"O Clone" aumenta procura por ajuda antidrogas

Recentemente, o presidente Fernando Henrique Cardoso não poupou elogios à autora Glória Perez, da novela O Clone, por conta do seu empenho em escrever cenas tão realistas sobre o drama vivido por dependentes químicos e seus familiares. Na novela, Glória utiliza os personagem Mel (Deborah Falabella), uma adolescente nascida numa rica família, e Nando (Thiago Fragoso), para mostrar como uma pessoa pode facilmente chegar às drogas e, por causa delas, ver toda sua vida pelo avesso, afetando, inclusive, toda a estrutura familiar. O drama dos alcóolatras também é retratado num outro personagem, o advogado Lobato, bem interpretado por Osmar Prado. "O presidente assiste ocasionalmente a episódios da novela e entende que tem sido muito positiva a sua repercussão no sentido de incentivar um número maior de pessoas a buscar apoio", revelou o porta-voz da presidência, Alexandre Parola. Segundo as observações de FHC, a "real compreensão desse sofrimento é, em si, poderoso argumento para que se persigam incansavelmente políticas firmes de combate ao tráfico e consumo de entorpecentes".Além de receber os elogios de FHC, a autora também conseguiu o que queria: aumentar o número de procura de grupos de apoio como Narcóticos Anônimos (NA) e Alcoólicos Anônimos (AA). "Antes da novela, costumávamos atender em média umas 30 ligações por dia. Atualmente, já chegamos a registrar 55 telefonemas por dia, de pessoas interessadas em conhecer o trabalho da associação", revela Carlos, que há cinco anos atua como voluntário do Alcóolicos Anônimos de São Paulo. Segundo ele, o aumento da procura registrada na entidade da capital paulista também pode ser sentido nos demais 500 grupos do AA localizados no resto do Estado. Ao todo são seis mil espalhados pelo Brasil. "Dizem que a propaganda é a alma do negócio, não é mesmo? Então, mostrar que o álcool, assim como as drogas, é uma doença progressiva e incurável, é uma forma muito louvável de conscientizar as pessoas sobre esses problemas", acrescenta o voluntário, lembrando que há sete anos e três meses está em recuperação. Para Carlos, o drama de Mel, Nando e Lobato está sendo retratado no vídeo de uma forma muito séria, o que pode incentivar quem enfrenta o mesmo drama a procurar ajuda mais cedo. "Sei que depende muito do momento de cada pessoa. Em 1989, por exemplo, quando a novela Vale Tudo estava sendo exibida, a personagem Heleninha, vivida pela Renata Sorrah, era alcoólatra e terminou procurando ajuda no AA. Eu assistia à novela, mas não me comovi a ponto de procurar a ajuda da associação. Hoje em dia, um doente que esteja assistindo à novela e se identifique com os dramas tão reais dos personagens pode se sensibilizar e ver que dificilmente conseguirá se curar sozinho. Essa iniciativa da Glória é altamente louvável". Pedidos - Quem conhece o trabalho de Glória Perez sabe que realidade e ficção sempre acabam se fundindo em suas novelas. Foi assim em Barriga de Aluguel, quando a autora falou sobre mães que emprestavam seus úteros para dar à luz ao filho de outras; em De Corpo e Alma, quando a questão dos transplantes de órgãos foi abordada; e em Explode Coração, quando mães ganharam o horário nobre para divulgar fotos e dramas de seus filhos desaparecidos. "Há muito tempo estava querendo falar sobre as drogas e achei que o assunto poderia casar perfeitamente com a história criada em torno da clonagem", admite Glória, que desde a estréia da novela tem recebido elogios e prêmios de diversas entidades - como da Polícia Federal - por sua iniciativa de mostrar no vídeo o drama das drogas e do álcool. E como essa forma de escrever novelas já se tornou uma característica sua, Glória já se acostumou a receber pedidos - alguns estranhos - para que mencione outras causas em suas histórias. "Recebo pedidos de todos os tipos de associações, mas um dos mais diferentes chegou um pouco antes de a novela estrear. Era da Associação dos Detetives, que pedia para que eu criasse um personagem sério para dar mais credibilidade à profissão". ServiçoMais informações sobre as reuniões dos grupos de apoio em outros estados poderão ser obtidas pelos telefones: Alcoólicos Anônimos - 011 3315-9333Narcóticos Anônimos - 011 5594-5657

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.