O cinema fértil do recife

Cinco pernambucanos rodam longas na capital do Estado e comprovam o vigor da produção local

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2010 | 00h00

Padre galã. Fábio Assunção em cena do ainda inacabado O País do Desejo, de Paulo Caldas: “Quando falávamos que queríamos fazer um longa, ouvíamos: vocês são uns loucos”, diz o diretor    

 

OLINDA

A cena seria impensável há 15 anos. Há duas semanas, o diretor Paulo Caldas recebia o Estado em um dos mais belos hotéis de Olinda para conversar sobre seu novo filme: O País do Desejo. Estrelado por Fábio Assunção, Maria Padilha e Gabriel Braga Nunes, o longa-metragem estava literalmente sendo preparado na tarde de domingo em que a conversa ocorreu.

Com elenco e parte da equipe hospedada no hotel, a trupe tinha não só vários dias para ensaiar para as filmagens, que estavam prestes a começar, como também um espaço exclusivo para estudar a dinâmica das cenas. "Imagina se eu, o Lírio Ferreira e toda a trupe que hoje faz cinema para valer no Recife imaginávamos que um dia teríamos esta estrutura. Quando dizíamos que queríamos fazer um filme, achavam que era curta. Quando falávamos que íamos fazer um longa, ouvíamos: vocês estão doidos. Pudera, fazia décadas que não se fazia um longa no Recife", conta Caldas, cujo longa de então se tornou o símbolo do renascimento, não só do cinema pernambucano mas também virou um dos melhores exemplos da tal da Retomada do cinema brasileiro.

Bons frutos. Vencedor do Festival de Brasília em 1996, a história do libanês Benjamin Abraão, a única pessoa que conseguiu filmar Lampião, abriu caminho para uma cinematografia fértil que desde então não para de dar frutos. Mais que exemplo isolado, Baile Perfumado projetou nas telas nacionais o talento que vinha há tempos sendo "cozinhado" em uma das cenas mais ativas da cultura brasileira.

Hoje, 15 anos depois, Caldas está em seu quarto longa, Lírio Ferreira também lançou há pouco seu quarto filme e já planeja o quinto. Outros membros desta trupe se preparam para rodar seus próximos trabalhos. Marcelo Gomes, dirige em outubro seu terceiro longa, Era Uma Vez Verônica. Cláudio Assis filma em setembro Febre do Rato. e Cláudio Barroso, co-diretor do premiado curta O Mundo É Uma Cabeça (ao lado de Bidu Queiroz) filma seu primeiro longa, A História de Um Valente. Para completar, Kleber Mendonça Filho, que há pouco levou melhor direção e roteiro com Recife Frio no Cine PE, também se prepara para rodar seu primeiro longa em julho. "Esses são ficção. Tem outra porrada de documentário sendo preparada", celebra Caldas.

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