O chão vai tremer

Na banda Texas Hippie Coalition, vocal de Big Dad é um tremor sísmico

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2013 | 02h11

Rock peso-pesado é com esse cara aqui, Big Dad Ritch, o descomunal vocalista do grupo Texas Hippie Coalition. Por um desses acasos do destino, o THC (as iniciais em inglês são iguais às formadas pela substância da maconha, a tetraidrocanabinol) veio parar no Brasil em 2011 para a Virada Cultural.

Sua explosiva mistura (não é bom falar em explosivo com texanos nesse momento, mas....) de hard rock, southern rock e heavy metal criou uma legião instantânea de fãs no Brasil, tanto que já estão voltando. Tocam no dia 28 em São Paulo.

Big Dad conta que, quando começou a formar a banda, era fascinado pelos grupos 38 Special, ZZ Top e Lynyrd Skynyrd, mas também pela crueza do metal de Pantera and Corrosion Of Conformity, além dos paradigmas country Johnny Cash, Waylon Jennings e Willie Nelson. As guitarras são demolidoras, e seu estilo franco e debochado é inescapável. "Sou o cara que quer descer o rio com uma cerveja ou uma garrafa de uísque nas mãos, fumando alguma coisa, e mesmo assim, antes de subir ao palco, nós fazemos algumas orações", diz.

Big Dad falou ao Estado por telefone, na quinta-feira. Contou como foi o impacto de ter vindo parar no meio da Virada Cultural, no meio de uma multidão estimada em mais de 4 milhões de pessoas nas ruas. "Foi incrível, um mambo maravilhoso. Sabe, eu não sou um cara de chorar. Quando meu filho nasceu, quando meu pai morreu, eu chorei. Mas não choro com meu time de futebol, não choro quando estou com os amigos, nem no meio de um público de rock. Mas, quando desci aí no meio do Brasil, tanta gente cantando as letras das minhas canções, aquilo me atingiu de um jeito poderoso, eu não conseguia parar de chorar. Eu tentei não dizer muita coisa no meio das canções, a única que disse, em inglês, foi: 'Eu amo São Paulo, eu estou chorando por você, Brasil! Porque meu coração está tão tocando com todo mundo cantando, isso me fez sentir muito bem'. Aquele momento, desde o nascimento do meu filho, foi o maior momento da minha carreira no palco", afirmou Bid Dad.

O homem é uma figura. Tritura as perguntas sérias. Quando indagado sobre a explosão que destruiu uma fábrica e matou dezenas em seu Estado natal, essa semana, ele não perde a chance de fazer piada. "Quando aquilo aconteceu eu não estava fazendo nenhuma bomba, portanto não tenho nada a ver com isso!", apressa-se a dizer.

"Você é um cara muito grande. Você já ouviu falar numa banda brasileira chamada Ratos de Porão?". Big Dad: "Não, não ouvi." É que eles tinham um cara como você cantando, insiste o perguntador. "Você deve estar dizendo isso porque era um cara bem sexy, certo? Uma besta linda como eu, não? Hahahahahahahaha. Eu venho do Texas e, aqui no Texas, tamanho importa", diverte-se Ritch.

Ele mesmo adotou o rótulo "red dirt metal" para definir o tipo de som que o Texas Hippie Coalition faz. "É um apelido que nos deram os cantores que atuam aqui no Texas e em Oklahoma. Bandas que contam histórias. Essa música está alcançando seu próprio lugar nas paradas, aqui mesmo na região. Eles nos chamaram assim, e nós gostamos, temos orgulho desse nome", afirma o cantor.

Sua abordagem do rock também é semelhante ao seu estilo. Contam que ele gravou o disco Rolling em apenas 12 horas, canção por canção, sem repetir nenhuma, apenas berrando os versos incansavelmente. Ele confirma a história.

"É correto, 12 horas. Coloquei os vocais em seis ou sete canções em 8 horas e as outras quatro canções em quatro horas. Todo mundo ficou imaginando o que o produtor, David Prater, faria a seguir. Quando ele terminou, era uma obra-prima. É um mágico, o que ele disse que faria ele fez".

Randy Cooper, o guitarrista da banda, costumava tocar abrindo show do Pantera. Não são muito fãs de baladas, têm poucas no repertório, como Groupie Girl. As semelhanças com o Pantera são muitas, mas o vocal de Big Dad certamente não é ordinário, é uma voz muito particular. Eles trazem ao Brasil o disco mais recente, lançado no ano passado, Peacemaker. As canções seguem o espírito do humor desbragado de Big Dad, como por exemplo Sex, Drugs & Rock'n'roll. "Quando eu apresentava a banda, no início, eu dizia: sei que muitos de vocês estão aqui pelo sexo, muitos de vocês estão aqui pelas drogas, mas sei que cada garota está aqui mesmo é pelo rock'n'roll".

Bid Dad brinca, mas é um fervoroso defensor da legalização da marijuana no Texas, e em outros Estados além da Califórnia. Considera uma hipocrisia que apenas alguns Estados tenham o consumo legalizado, e acha que os próprios usuários são preguiçosos em buscar seus direitos. Também é um ardoroso torcedor do futebol dos Texas Longhorns.

Em sua defesa da banda que encabeça, ele escreveu em um release: "Há dois caminhos que você pode tomar na vida. Pode escolher permanecer no trilho e ser um seguidor, sempre em quinto ou sexto lugar, comendo poeira dos outros. Ou pode traçar sua própria linha e viver como você escolheu, sem ninguém mais aterrissando atrás de você, enquanto cria suas próprias coisas. Adivinhe qual é o caminho do Texas Hippie Coalition?".

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