O casual e o chic

Milão aponta um verão 2014 em que o rigor da costura ganha leveza e toques descontraídos

FLAVIA GUERRA, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2013 | 02h13

Use o que usar, seja casual ou clássico, mas vista-se muito bem. E por bem entenda-se não necessariamente grifes famosas, mas sim peças que, além de belas, são benfeitas, confeccionadas com bons materiais, com atenção aos detalhes e caimento perfeito. Esse poderia ser um resumo rápido do que sugeriram as marcas que desfilaram suas coleções de primavera-verão 2014 na Milano Moda Uomo, umas das (se não a mais) importantes semanas de moda masculina do circuito fashion, encerrada na semana passada na cidade italiana.

Se, quando o assunto é moda feminina, já é um grande desafio propor inovações fortes o suficiente para se criar impacto, quando se trata da moda masculina, o desafio é maior ainda. Sem poder apelar para golpes de vista que vestidos de festa, brilhos e brocados podem causar nos observadores, os criadores têm de se esmerar nos cuidados com os detalhes e o corte. E foi esse rigor que se viu ao longo dos quatro dias de evento, em cerca de 40 desfiles e apresentações das principais marcas do mundo.

Quem, mais uma vez, se superou foi a italiana Prada. Com Miuccia Prada à frente da diretoria criativa, a grife apostou em um verão nada óbvio. Em vez de estampas meramente tropicais óbvias (leia-se coqueiros, cores leves como azul, verde, branco, palha), propôs um tropicalismo urbano, calcado em tons mais encorpadas como preto, azul-cobalto, bordô, ferrugem. Nas formas, há um quê de nostálgico ao propor punhos nas barras das calças e nas golas das camisas ultracoloridas.

Quem também investiu nas estampas foi a Gucci. Inspirada na clássica estampa Flora, a coleção de Frida Giannini trouxe flores dos pés à cabeça - até mesmo as calças e leggings evocavam uma primavera frugal e ousada para a sempre mais comportada moda masculina.

Comportada e até clássica, mas não menos impecável foi a Ermenegildo Zegna, que mostrou novamente por que é sinônimo da tradição dos sarti (alfaiates) italianos. Modelagem rigorosa, corte preciso e riqueza de detalhes comprovaram que a vinda de Stefano Pilati (ex-Yves Saint Laurent, que fez em Milão sua estreia na Zegna) para a linha de frente da criação da grife foi uma escolha acertada. O estilista soube muito bem fazer uso da estrutura impecável que sempre foi o ponto alto da marca italiana para dar sua contribuição com o uso de camadas e sobreposições. Destaque para os punhos com revestimento que, sobre as mangas, davam descontração a uma moda sempre muito sóbria; e para os ternos, mais justos, sob maxicasacos. Na paleta de cores, azul, vinho e tons terrosos. Essa combinação, aliás, desponta como o trio de ouro dos tons do verão masculino.

Ainda que seja difícil fugir ao óbvio quando o assunto é moda para eles, é também desafiador o fato de que, ao contrário da feminina (em que quase tudo já foi testado e usado), muito ainda há a ser pesquisado e proposto na moda masculina. Um bom exemplo foi a coleção da Bottega Veneta, que apresenta uma pesquisa de materiais ao trazer traçados (imitando costuras) por cima das peças, sugerindo uma risca de giz rústica e, ao mesmo tempo, moderna.

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