"O Caso da Rua ao Lado" satiriza a burguesia

Depois de uma noitada, um homem acorda atordoado sem se lembrar de nada. Assustado, descobre que dormiu ao lado de outro homem, completamente desgrenhado, que não conhece. Ao mexerem em seus bolsos, eles encontram objetos estranhos. E, para piorar a situação, descobrem, pelo jornal, que esses objetos podem ser indícios comprometedores de um crime. A frágil distinção entre culpados e inocentes move a comédia O Caso da Rua ao Lado, que estréia hoje na Tom Brasil da Vila Olímpia. "Trata-se de uma crítica mordaz à burguesia ao mostrar que as aparências não enganam", comenta Alberto Renault que, além de dirigir o espetáculo, adaptou o texto escrito pelo francês Eugène Labiche em 1857. No papel de Lenglumé, o rapaz que se vê ao lado de outro homem, está Luiz Fernando Guimarães, também assumiu a produção. "Fiquei maravilhado (com o texto) e, como não estava disposto a esperar por um patrocinador, decidi bancar o projeto", conta o ator. O outro homem, Mistingue, é vivido por Otávio Müller. Para o papel de Norine, a mulher de Lenglumé, Alberto Renault conta que pensava em Marisa Orth quando traduzia o texto. "Norine é a única personagem da história que tem os pés no chão, representando a própria razão", explica a atriz. O elenco é completado por Rubens Araújo e Marcus Alvisi. Na tentativa de escapar da culpa, os personagens tentam esconder a verdade e como cada mentira agrava o problema que talvez nem exista, eles se tornam reféns do absurdo. Como a história se passa no século retrasado, o diretor preferiu manter um certo clima de época, determinando que os atores utilizem um figurino específico. O cenário é ser minimalista a fim de provocar uma atemporalidade. Outro detalhe é a importância da música: o diretor determinou que certas falas seriam a chave para a execução de uma trilha sonora, executada ao vivo pelo pianista João Vidal.O Caso da Rua ao Lado foi montado pelo diretor de cinema Patrice Chéreau (Intimidade, Rainha Margot) na França e por Klaus Michael Grüber na Alemanha. Também foi transformado em filme por Henri Diamant-Berger em 1923, estrelado por Maurice Chevalier. "Seu mérito é tratar de um tema universal", comenta Renault. "Ele fala ironicamente sobre os homens que se movem apenas por interesses e apetites." O Caso da Rua ao Lado - 12 anos. Tom Brasil, Vila Olímpia. Rua das Olimpíadas, 66, 2163-2000. Sexta e sábado, 22 horas; domingo, 19 horas. De R$ 30 a R$ 70

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