O carnaval de Britney

De volta depois de dez anos, ela ainda "canta" com playback, mas os fãs não reclamam

ALESSANDRA SARAIVA, RIO, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2011 | 03h08

Às vésperas do aniversário de 30 anos, Britney Spears já não tem o corpo sarado de "princesinha do pop", e a performance como dançarina não é mais aquela. O show da turnê Femme Fatale, na Apoteose, no Rio, na terça-feira, para 20 mil pessoas, durou apenas 1h28, e a cantora recorreu ao velho recurso do playback. Mas para os fãs, que eram adolescentes quando ela, no auge, veio para o Rock in Rio de dez anos atrás, nada disso tem qualquer relevância. O público no Rio estava elétrico, mesmo sob a chuva que antecedeu a apresentação. "Estou aqui desde sábado", contava a estudante Julia Neves, de 22 anos, que veio de São José dos Campos com sua peruca rosa. "Por ela eu aguentei chuva e até o Belo!", brincou Julia, numa referência a um show do pagodeiro na Apoteose.

A chuva parou antes da contagem regressiva para o show, de 30 minutos. Foi quando as luzes se apagaram e a imagem de Britney sendo perseguida - como fazem os paparazzi ávidos por seus deslizes - surgiu em quatro telões. Em close, ela avisou: "I'm not that innocent". E a plateia veio abaixo.

Sorridente, a cantora, que se apresenta no Arena Anhembi amanhã, em São Paulo, apareceu em seguida, com um maiô branco e prateado - o primeiro dos cinco figurinos que vestiria na noite, todos bem justos, para deixar a silhueta mais esguia -, e iniciou os trabalhos com Hold It Against Me, single do CD Femme Fatale, lançado este ano. Depois da segunda música, Up & Down, também do CD, dirigiu-se aos fãs. Bastou um "What's up, Rio?" para a ovação. As letras novas eram cantadas inteiras.

Britney agradeceu, animada, e mandou outro hit, 3, de The Singles Collection (2009), seguida por Piece of Me, de Blackout (2007). O uso do playback era notado em músicas que exigiam passos mais difíceis de dança, como em How I Roll.

Foram 19 músicas, entre as de Femme e os grandes sucessos: Womanizer, Toxic e I'm a Slave 4 U. Oops... I Did It Again ficou de fora - mas não houve reclamações. Assim como em outros shows da turnê, em Lace & Leather um voluntário foi convocado para ser algemado em uma cadeira enquanto ela e seus dançarinos executavam uma dança sensual. Subiu o estudante Getúlio Cavalcanti, de 20 anos, que ousou ao dar uma mordida em sua perna.

Em I Wanna Go, no fim, a Apoteose se converteu numa rave de braços para cima, agitando bolas multicoloridas. No último número, Till the World Ends, cartazes com a interjeição "Oh", presente na música, foram levantados, tal qual se fez com Paul McCartney no "na na na na" de Hey Jude.

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