O caminho de like a Rolling Stone no pop

O caminho de like a Rolling Stone no pop

Livro em que o crítico norte-americano Greil Marcus disseca a música mais famosa de Bob Dylan sai no País

Raquel Cozer, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2010 | 00h00

Pela sexta vez naquela tarde, os músicos liderados por Bob Dylan tentaram levar Like a Rolling Stone a cabo. Tirando o cantor, ninguém fazia ideia do que viria a seguir; ele mesmo tinha lá suas dúvidas. Em 16 de junho de 1965, segundo dia de gravações no estúdio da Columbia, em Nova York, conseguiram enfim passar da segunda estrofe. Seis minutos e seis segundos depois, estava concluída a faixa que viria a abrir Highway 61 Revisited.

Quando, passadas quatro décadas, o americano Greil Marcus ouviu na íntegra as fitas daquelas duas sessões, encontrou a resposta para a dúvida que o havia levado a escrever Like a Rolling Stone: Bob Dylan na Encruzilhada: por que a música que rompeu as convenções artísticas da época ainda soa como nova. "É como um filme de suspense, como se você nunca tivesse visto antes", avalia o autor, crítico de rock desde 1969 e o primeiro editor de resenhas da Rolling Stone, falando por telefone ao Estado. "Há essa incerteza, essa energia confusa. Ao ouvir aquilo, entendi. Os músicos não sabiam nem quantas estrofes ela tinha."

A transcrição das sessões aparece ao fim do volume, que chega nos próximos dias às livrarias do País. As fitas foram um prêmio (e tanto) de consolação do agente de Dylan para Marcus, que tentava tirar do cantor algo sobre as circunstâncias da gravação. Tinha prometido não fazer nenhuma daquelas odiáveis perguntas, não questionaria o que a música significava nem o que Dylan pensava dela, mas não adiantara.

Mais que a biografia da canção, Marcus assina uma longa obra crítica. Há digressões sobre a sequência de acordes, o teor da letra, a originalidade da abertura. Leitores menos afeitos a detalhes técnicos verão curiosidades em especial a partir da segunda parte do livro, que detalha o momento da criação e o impacto dos primeiros resultados inclusive sobre Dylan. Há, por exemplo, o testemunho de um fã que o viu saindo do Manchester Free Trade Hall, em Londres, após o histórico show em que um grito de "Judas!" ecoou no público antes do início de Like a Rolling Stone - ao subir ao palco com banda e guitarra elétrica, Dylan "traía" o conceito de folk. "Ele parecia alguém que fora atropelado por um carro. Alguém absolutamente em choque", diz o fã.

Marcus ainda consegue arrancar de Bob Johnston, o produtor que substituiu Tom Winston nas gravações para o Highway 61 Revisited após as sessões de Like a Rolling Stone, uma confissão de que houve a mão dele na versão final da faixa. Embora Johnston tenha exigido o nome de Winston nos créditos, ele admite ao crítico que pode ter "mixado a coisa". A relutância em falar faz sentido - morto, Winston não tem como dar sua versão.

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