'O brasileiro é muito envolvido com a beleza'

Lynne Grenne, presidente da Clinique, explica por que está trazendo a grife para cá: 'O Brasil ama a vida e a juventude'

Sonia Racy, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2010 | 00h00

No caso do Brasil, beleza se coloca na mesa, sim. Prova disso é que a turbulência econômica não afetou significativamente o mercado da vaidade. As brasileiras conseguiram colocar o País em terceiro lugar no ranking mundial de gastos com beleza. Só perdemos para as americanas e japonesas.

Segundo a pesquisa da Nielsen "Mulheres Brasileiras e o Consumo de Produtos de Higiene e Beleza", feita para o Guia das Farmácias, na divisão da estrutura domiciliar brasileira segundo a idade das donas de casa, o maior índice de concentração, 48%, está na faixa dos 31 aos 50 anos. Essa parcela é responsável por 52% dos gastos do total das famílias brasileiras nesse item. Em 2009, foram as consumidoras na faixa de 41 a 50 anos que se destacaram na cesta de higiene pessoal e beleza. Na média, essas consumidoras gastaram por ano R$ 400.

Mas foram as mais jovens que, proporcionalmente, aumentaram o índice de gastos da categoria. Com base nesse tipo de dado, Lynne Grenne, presidente mundial da Clinique, bateu o martelo e definiu a abertura da primeira loja própria da marca no Brasil, mais especificamente em São Paulo. De passagem pela capital paulista, conversou com a coluna. A seguir, os principais trechos da entrevista.

A Clinique resolveu abrir uma loja própria no Brasil. O que a levou a essa decisão?

As pesquisas indicam que o Brasil é o terceiro país no mundo em gastos com beleza. Só perde para os EUA e Japão. Esse é um dado fantástico, e resolvemos aproveitar a oportunidade.

No faturamento da Clinique, quanto representa o Brasil em termos mundiais?

É um porcentual pequeno. Mas é exatamente por essa razão que estamos aqui.

Mas por que só agora? É porque o mundo entrou em crise e o Brasil não?

Nós vimos essa oportunidade no ano passado. Quando entrei na Clinique ? isso aconteceu em 2006 ? já se falava muito no potencial do Brasil. Esse mercado é ideal para nós. Talvez a percepção tenha ocorrido um pouco tarde, mas é o momento perfeito e uma grande oportunidade.

Então, não tem nada a ver com a crise internacional?

Na verdade, não. Não diria que estamos aqui por causa da crise financeira. A minha primeira viagem para o Brasil foi em julho de 2009 e eu fiquei impressionada com esse mercado. Encontrei um consumidor muito envolvido com beleza. E decidi que precisávamos ter uma loja modelo (flagship store) para estabelecer o que a marca é em termos de imagem.

Em que outros países a Clinique tem esse tipo de lojas?

No Leste Europeu, na Europa. Na China, não temos. Por toda a Ásia, vendemos em lojas de departamento. Temos na Índia, 3 ou 4. Na América Latina, esta do Brasil é a primeira.

Como é que a tecnologia afeta a vida da Clinique?

Temos um site nos EUA e vamos ter aqui também. Por meio da internet, você tem uma consultora à disposição, para lhe dar um diagnóstico sobre sua pele. Estamos com esse sistema há um ano. Mas isso jamais vai substituir o contato olho-no-olho. O consumidor quer tecnologia e contato humano. Neste momento, a demanda por tecnologia é desproporcional, mas eu posso lhe dar exemplos diferentes em que há demanda forte de humanidade. É necessário balancear essas duas questões para o consumidor.

O brasileiro tem uma pele diferente da do americano ou do europeu. Vocês fazem produtos diferentes para cada país?

Fazemos os mesmos produtos em todas as partes do globo ? há tecnologias e texturas que são relevantes em todos os países. Por outro lado, procuramos desenvolver produtos específicos para uma região. Não temos ainda este tipo de produto para o Brasil. Mas com o nosso envolvimento nesse mercado estou segura de que desenvolveremos os produtos certos.

Como é o mercado na China? É muito fascinante. E quando você fala de Hong Kong, considera também os países vizinhos.

Os consumidores chineses são tão interessantes, para vocês, quanto os brasileiros?

O Brasil tem um consumidor muito sofisticado.

A tendência dos chineses é comprar tanto quanto os brasileiros? Eles não são mais conformados com o envelhecimento?

Olha, eles acreditam que sua vida será melhor que a da geração anterior. Esse é um fator positivo. Os jovens de Primeiro Mundo não se sentem necessariamente assim. Pelo contrário. Nos EUA, a geração mais jovem não está acreditando que sua vida será melhor que a de seus pais. Na Europa, a mesma coisa. Na China, no entanto, existe uma visão bem otimista de que, na comparação de gerações, a de agora está melhor. Portanto, envelhecer não é uma preocupação hoje e tampouco cultural. E o Brasil já ama a vida, a beleza e a juventude.

Tentar não ficar velho é uma reação humana?

Quando você se sente jovem, age como um jovem, tem energia, você está mais vivo. E assim parece mais jovem do que é. Vive mais por causa da sua atitude pessoal. Com 50 e tantos anos é difícil voltar atrás e ter 18. Mas se você exercitar seu cérebro, aprender uma nova língua, a cabeça volta a ser jovem. Tudo que fazemos, seja exercitar a mente ou passar um batom , reflete nossa visão de mundo. O que você quer para a sua vida.

Colaboração

Débora Bergamasco debora.bergamasco@grupoestado. com. br

Gabriel Manzano Filho gabriel.manzanofilho@grupoestado. com. br

Marilia Neustein marilia.neustein@grupoestado. com. br

Pedro Venceslau pedro.venceslau@grupoestado. com. br

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