O Brasil no ousado projeto de j.r. Duran

Fotógrafo apresenta a Rev. Nacional e inova as publicações do gênero

Simonetta Persichetti ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2010 | 00h00

Um projeto ousado, este da Rev. Nacional, criada e editada pelo fotógrafo J.R. Duran em parceria com a Burti. Uma publicação de 144 páginas que não terá lançamento nem será comercializada. Os 2 mil exemplares que acabam de ser impressos serão distribuídos por meio do e-mail revista@burti.com.br. Uma publicação sem anunciantes e sem periodicidade fixa. Uma revista customizada. Sabe-se apenas que será anual. Uma revista de qualidade gráfica excelente. Talvez, por isso, a palavra certa para este projeto seja ambicioso. "Uma revista para ver, ler e guardar", explica o fotógrafo por telefone.

Montada em lombada canoa e grampeada, grande formato e impressa em papel Novatech 170 g "como se fossem fascículos", a revista tem prvisão de durar dez anos: "No fim, teremos um volume único com 1.440 páginas, que mostram o Brasil." Essa é a ideia, contida em 1,5 kg de publicação. As matérias não têm títulos, apenas nomes que funcionam como se fossem um código: "Não são pautas. Convido pessoas a escreverem sobre temas, como quiserem, quanto quiserem e do jeito que preferirem. Em seguida, escolho as fotos para acompanhar os textos", relata Duran. As pessoas são múltiplas, mas as fotos são todas do próprio Duran. "Ensaios que gosto de fazer por conta própria, porque os temas me interessam. Não são trabalhos encomendados."

Neste primeiro volume, encontramos escritores e jornalistas escrevendo sobre variados e impensados temas: "Não diria que é new journalism, mas uma maneira de a pessoa se expressar como desejar." Por exemplo, texto do jornalista Fernando Paiva sobre pontes; do diretor da revista Brasileiros, Hélio Campos Mello, sobre o maestro João Carlos Martins; do cineasta e também diretor da revista piauí, João Moreira Salles, sobre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso; da indigenista Rosa Cartagenes, que relata a vida dos índios Zo"é, só para citar alguns nomes que assinam matérias. Um processo de construção demorado e minucioso: "Recebo os textos e começo a desenhar as páginas. Isso demora. Preparo, troco, olho. Escolho a foto certa, e assim vai." Quase um processo artesanal. Um deleite. Poderia até ser descrito como hobby, não contasse a revista com a coordenação de Carol Steenmeijer, com apoio de Luiz Carlos Burti, Leonardo Burti e Leandro Burti, e fosse finalizada, impressa e distribuída.

Sonho. Com design limpo e clássico - "Só tem uma tipografia, fundo branco para todas as fotos" -, a publicação nos lembra as revistas ilustradas do início do século passado. Um sonho há muito acalentado por J.R. Duran. "Esse projeto vinha sendo elaborado em minha mente faz tempo, até que um dia decidi mostrá-lo para os Burtis e eles deram apoio."

Não é a primeira vez que Duran - autor de dois romances, Lisboa e Santos - se arrisca a fazer revistas. Durante anos publicou a Freeze, toda editada por ele. Mas essa era só de imagens e, também, distribuída e não comercializada. Agora, na Rev. Nacional ele une texto e imagem. "A melhor companhia para uma foto é um texto, e vice-versa. É por isso que na Rev. Nacional as imagens e os textos estão valorizados da mesma maneira. Ocupam um espaço igual, equilibrado e balanceado, mesmo com seus tamanhos diferentes, e um bom texto não precisa ter mil palavras para acompanhar uma foto", brinca. E o que leva um fotógrafo já conhecido por publicar suas imagens nas mais importantes revistas do País a querer criar sua própria publicação? "Não sei. Há fotógrafos que gostam de fazer cinema, eu gosto de fazer revistas." Simples assim!

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.