Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE

'O Brasil não melhorou'

Criolo, rapper

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2011 | 03h06

 

Parece que muita coisa mudou para você neste ano...

Eu continuo na labuta, indo atrás do que me comove para fazer música. Foi um ano especial sim, mas não vou deixar de fazer aquilo que acredito.

Era necessário fazer o rap dar um passo à frente criando com mais liberdade?

Sobre a música que faço, tem um detalhe: aliado a essa vivência que sempre tive com o rap de Racionais e Facção Central, meus pais são nordestinos. Isso faz toda a diferença. Meu avô foi estivador em Fortaleza e meu bisavô foi escravo dos holandeses. Meu pai foi metalúrgico a vida toda, minha mãe é professora. A vida deles foi trabalhar para ter uma casa própria. Quando sobrava algum dinheiro, eles compravam um disquinho de vinil.

Não seria o momento de mais rappers acontecerem se eles não criassem tantas barreiras?

Quem faz rap não faz porque quer acontecer. Aquilo que cantam é a vida que levam. O acontecimento para eles é o fato de estarem vivos. A situação do Brasil não melhorou. Todos os dias, você que é jornalista sabe, há uma série de paliativos para que não haja uma guerra civil.

Mas o Brasil do Lula não melhorou?

Cara, posso fazer um resumo rápido: se os corruptos roubassem apenas 50% do que roubam, seríamos um país de primeiro mundo. Muita coisa foi feita, mas as boas ações esbarram em uma ganância absurda.

Quando vem o disco novo?

Sigo compondo, mas não me preocupo com disco. Componho um monte de coisas. Lancei o primeiro há apenas cinco meses, nem parece.

E afinal, existe amor em SP?

Existe amor no coração das pessoas, quando elas pensam positivo, quando pensam pelo próximo. O que não acredito é na forma como somos amarrados, como somos encaixotados, como somos arrochados. / Julio Maria, de O Estado de S. Paulo

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