O BLOCO SUINGADO DA HYPNOTIC BRASS ENSEMBLE

Das ótimas bandas de funk, afrobeat e afins que passam por São Paulo regularmente, a Hypnotic Brass Ensemble é a única que terá a chance de mostrar serviço em um sábado de carnaval. Fela Kuti, Tony Allen, Antibalas e Budos Band têm feito excursões por aqui, como parte do revival de afrobeat, mas nenhum grupo tocou no primeiro dia da festa.

ROBERTO NASCIMENTO , O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2013 | 02h09

"Será uma honra", diz Gabriel Hubert, líder do octeto de metais, quando indagado sobre o show que a banda fará no Sesc Pinheiros, depois de amanhã. "É um sonho participar de uma festa tão conhecida pelo mundo afora", completa.

A banda lançou, em 2011, seu último disco, Bulletproof Brass, trabalho que segue com a tradição de mesclar hip-hop e funk com arranjos de sopro para fazer a plateia balançar.

"Somos uma banda de família. Fomos criados no South Side de Chicago", conta Gabriel, que é filho do trompetista Kelan Philip Cohran, veterano, ex-pupilo de Sun Ra. Kelan criou oito filhos músicos, que juntos formaram a Hypnotic, com quatro trompetes, dois trombones, um sax barítono, um eufonium e um sousafone. O grupo chamou atenção por volta de 2005, com seu híbrido de funk e jazz. "Meu pai sempre disse que tínhamos que ser diferentes. Tínhamos que dar o melhor de nós mesmos, aquilo que ninguém pode imitar. É ótimo receber a confirmação disso quando nos chamam para tocar nos lugares", conta o trompetista. É um som diferente das brass bands tradicionais, de New Orleans. "A tradição de lá não mudou muito, mas nós sempre tentamos fazer algo diferente", conta.

A Hypnotic não é tão fiel ao afrobeat quanto as outras bandas de funk que circulam pelo mundo, mas o pedigree está lá.

"Fizemos um remix de uma música para Tony Allen, o baterista de Fela, que inventou a batida do afrobeat. Foi uma honra. A música acabou sendo batizada de Sankofa, que quer dizer 'olhe para trás', em iorubá. Tony Allen é um sacerdote, um mestre que respeitamos incondicionalmente. Queremos sempre honrar o legado dele", afirma.

O veneração pela história da música é parte da vida de Gabriel e de seus irmãos desde o berço. Além de tocar nos primeiros discos de Sun Ra, seu pai, Kelan, foi mentor de nomes influentes da música negra. Earth Wind and Fire foram seus pupilos, assim como Chaka Khan e Curtis Mayfield. "Ele é poeta, filósofo, historiador e músico. Nos passou as filosofias de Sun Ra. Todos nós temos um propósito neste mundo. Temos que deixar a nossa marca de alguma forma. Para nós, é a música, mas todos temos alguma missão a cumprir. Sun Ra ensinava isso."

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