O bem-humorado B.B. King longe da aposentadoria

Aos 84 anos, o rei do blues está muito mais para os figurinos coloridos de show do que para o pijama. Apesar do cansaço provocado pelas viagens, que o faz vez ou outra recorrer a uma cadeira de rodas, para aliviar as pernas, precisa continuar cantando e tocando sua guitarra para se manter, já que não ganhou dinheiro suficiente nas mais de seis décadas de carreira, ele justifica. Será? Pouco importa. O que vale é que, quatro anos depois de passar por aqui para se despedir, B.B. King está de volta para mais uma turnê.

Roberta Pennafort / RIO, O Estadao de S.Paulo

18 de março de 2010 | 00h00

"Nunca achei que viveria o suficiente para voltar para vocês! Gostaria de ter vindo antes. Eu ainda adoro trabalhar. Vou ser um garoto para sempre", disse ele na segunda-feira, pouco depois de chegar ao Rio, onde tocaria no dia seguinte. Brincava com o apelido B.B. (blues boy). Hoje, o show é no Bourbon Street; amanhã e sábado, no Via Funchal. Na terça, em Brasília, antes de voar para Buenos Aires. O show do dia 27, no Chile, foi desmarcado por causa do terremoto.

Está aí uma coisa que tira o bom humor de B.B. King: ter de tomar um avião. Ele prefere um bom ônibus, como o superequipado que usa para cruzar seu país. Saudado como o último grande bluesman vivo, ele não cumpre mais a agenda intensa de décadas atrás, quando tinha show quase todo dia. Lamenta que sua música não toque nas rádios, e que não tenha conseguido acumular o bastante para uma velhice mais tranquila.

"Os músicos às vezes ganham pouco dinheiro. Alguns de nós estão de bolsos vazios. Não sou uma moça bonita e o blues não está no topo. As pessoas não ouvem B.B. King, não sabem de B.B. King." O tom não é de queixa - depois de tantos anos de circulação, de ver tantos guitarristas surgirem e desaparecerem, ele soa resignado. Apesar das dificuldades, acredita na força do blues e no poder de sua lendária guitarra, a qual chama de Lucille. "O blues nunca vai morrer. É como a música clássica, como Beethoven."

Do Brasil, guarda lindas recordações. Como a da imagem do Corcovado, que ele já viu várias vezes da janela do avião, mas nunca de perto. Ou a do histórico show em 1995 no Ibirapuera, para mais de 100 mil pessoas. "O público me tratou como se eu fosse uma entidade sagrada", lembra ele.

No Rio, na noite de terça, B.B. dominou a plateia com piadas, galanteios para as senhoras presentes (ele não se cansa de elogiar a beleza da mulher brasileira) e, claro, um punhado de clássicos, como Let The Good Times Roll, The Thrill Is Gone, Rock Me Baby e Guess Who, que devem se repetir em São Paulo e em Brasília. Fazendo graça, na entrevista no Rio ele não quis dar pistas do que iria tocar. "Você diria qual roupa vai usar?", o rei respondeu à repórter, como se lhe fizesse a corte.

SERVIÇO

Bourbon Street. R. dos Chanés, 127, 5095-6100. Hoje, 22 h. R$ 950. Via Funchal. Rua Funchal, 65, telefone 2144-5444. Amanhã e sábado, 21h30. R$ 200/R$ 600

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