Autumn de Wilde/Divulgação
Autumn de Wilde/Divulgação

O bailão do Pink Martini

Big band que evoca era de ouro do cinema chega nos dias 14 e 15 a Rio Preto e Piracicaba, na Virada Cultural Paulista

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

23 Abril 2011 | 00h00

O glamour daquela antiga cultura hollywoodiana que cantava e dançava vive na big band Pink Martini, pela primeira vez no Brasil para a Virada Cultural Paulista (o equivalente estadual da Virada Cultural). No seu repertório, refulgem novinhas em folha canções imortais como Amado Mio (do filme Gilda, com Rita Hayworth), Aquarela do Brasil (de Ari Barroso, tornada imortal por Carmen Miranda) ou Andalucia, do cubano Ernesto Lecuona.

Integrada por 12 músicos, foi criada pelo pianista Thomas Lauderdale em 1994, que disse: "Se as Nações Unidas tivessem uma banda, certamente seria esta aqui". Emplacou um grande sucesso na França, a canção Sympathique (que contém Je Ne Veux Pas Travailler, de Edith Piaf), e sua estreia na Europa foi justamente no Festival de Cannes, em 1997.

No núcleo central da banda, a voz da cantora China Forbes é impulsionada pelo piano do bandleader, Thomas, pelo violão tanguístico de Nicholas Crosa, pelo trompete de Gavin Bondy, a guitarra de Dan Fahenle e a percussão do peruano Martín Salazar. O líder do grupo falou ao Estado sobre sua primeira excursão pelo País.

Como vocês escolhem seu repertório multicultural?

Acho que há grandes canções e grandes melodias em todas as culturas. Não gosto de limitar minha banda. Além do mais, aqui uns falam alemão, outros espanhol, outros português, por causa das famílias ou dos estudos. China, nossa cantora, estudou muitas línguas. Há gente de toda parte do mundo, de religiões diversas. Não faz sentido cantar em um só idioma. E nosso alvo são as melodias, as melodias dessas canções são lindas.

E a relação da sua música com o cinema, como se construiu?

No passado, a música ajudou a consolidar o imaginário do cinema. Quando vejo o filme francês Bonjour Tristesse, com a Juliette Grecco, é impossível não lembrar a todo instante a música que tocava ali, assim como é impossível assistir a Fellini e não lembrar de Nino Rota, e ver Hitchcock sem a música de Bernard Hermann. A música criou a atmosfera dos filmes, ampliou as paisagens, de uma forma que tornou impossível separar música e filme. A música ajuda a tornar a história palpável.

Você tem uma formação de cinéfilo. Gostaria de saber qual é seu filme favorito.

São tantos. Mas há um filme que eu particularmente adoro, Ensina-me a Viver (Harold and Maude, 1971), de Hal Ashby. Talvez seja o meu favorito. Adoro aquela história da amizade entre o jovem e a senhora, sua reflexão sobre a vida.

Há também um clima de cabaret francês meio anos 30 em suas leituras musicais.

Não conheço tanto a cultura do cabaret. É mais uma música do mundo do que world music o que fazemos. O que digo é que a nossa música é de fato sobre a vida urbana, noturna, boêmia, sobre sair à noite para se divertir. No centro dela está a ideia da cidade como personagem. Não é sobre o campo, não tem um apelo bucólico. Outro dado é que estamos fazendo algo que revigore a cultura de cantar e dançar. Os Estados Unidos, particularmente, é um dos países onde as pessoas não dançam. As pessoas cantam e dançam na Irlanda, na Alemanha, no Brasil, no Japão. Se você vai a um festival aqui, sabe do que estou dizendo. E raramente cantam juntas. Convidamos todo mundo a fazer isso de novo.

Mas quando os Estados Unidos tinham Fred Astaire, era um mundo diferente, não?

Você tem razão. Mas era uma coisa profissional, as pessoas tinham de saber dançar de verdade. Agora, as pessoas são um pouco passivas, não se envolvem. Apesar da internet, da globalização, os americanos ainda não se liberaram.

Como chegou até Aquarela do Brasil?

Sempre amei essa melodia. Tinha grande vontade de gravar. A primeira noite em que nós a tocamos foi uma reação incrível, tem um grande apelo. A primeira gravação foi feita por Carmen Miranda, e é amplamente conhecida. E no nosso terceiro disco, Hey Eugene! (2007), gravamos Tempo Perdido, de Ataulfo Alves. Há duas semanas, nós estivemos em Buenos Aires pela primeira vez, foi maravilhoso, mas confesso que estou um pouco intimidado em tocar no Brasil. Do que conheço, há Villa-Lobos, que é fantástico, e também Chico Buarque, que adoro, acabo de descobrir. E encontramos Marisa Monte no Hollywood Bowl alguns meses atrás. Ela é demais. Espero que gostem da gente por aí.

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