'O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias' vai disputar o Oscar

Filme de Cao Hamburger desbanca 'Tropa de Elite', o mais recente favorito do cinema nacional

Pedro Henrique França e Flávia Guerra,

07 de setembro de 2026 | 20h21

O filme O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger, lançado no Brasil em novembro de 2006, será o candidato brasileiro ao Oscar deste ano. Ao receber a notícia aqui em São Paulo, onde mora, o diretor disse: "Estou muito feliz. É a prova do reconhecimento de um longo trabalho. Agora vamos partir para a segunda etapa, que é promover o filme nos Estados Unidos".   Trailer do filme Blog do Luiz Zanin Oricchio Júri explica opção por O Ano... Leia a crítica de O Ano...  Atores mirins surpreendem no elenco  "Sempre achei que a gente tinha chances, mas não estava muito ansioso. E não ficaria muito aborrecido se não fosse ele (o escolhido). É uma responsabilidade muito grande. Estamos representando o cinema brasileiro em um momento muito rico da produção nacional", comentou. "Todos os outros filmes que estavam concorrendo tinham condição", emendou Hamburger. Para participar da seleção, os filmes precisam ter sido lançados no Brasil entre 1.º de outubro de 2006 e 30 de setembro de 2007, exibidos por sete dias consecutivos em salas comerciais e realizados em 35mm, 70mm ou em formato digital de exibição comercial.  O longa derrotou outros 17 concorrentes, entre eles Tropa de Elite, de José Padilha, cuja indicação era considerada favorita - sua polêmica exibição no Festival do Rio, na semana passada, além do efervescente comércio ilegal (camelôs cariocas já vendem uma quarta versão do longa, com diversos extras) reforçaram seu favoritismo. O filme de Cao Hamburger, já iniciou uma espécie de maratona rumo a Hollywood. O longa, que já estreou em 13 países, incluindo França, Espanha, Itália, Canadá e Israel, estréia nas salas do EUA no final deste ano e aporta primeiro em Nova York e Los Angeles. Depois, segue para mais 25 cidades americanas.  Para Cao, entre os principais méritos de seu filme está a "carreira sólida nacional e internacional". "Fomos muito bem recebido em todos os lugares", conta. Ele relaciona ainda o longa com Central do Brasil, de Walter Salles. Segundo o cineasta, os dois filmes tem "quase o mesmo espírito". "Acho que meu filme tem um poder de comunicação com o resto do mundo, que o Central também teve", observa. Para Cao, quem assiste ao filme se conecta com os personagens "mesmo não tendo vivido na ditadura brasileira". Dentro deste contexto, ele avalia que está na "forma humana" com que conduziu a trama um de seus principais trunfos. "A ditadura serviu como elemento dramático, mas que as pessoas se identificam mais com os personagens, que vivem ali naquele momento sombrio, mas que conseguem sobreviver. É a vida como ela é, mais do que a vida como ela foi", considera. A história A trama de O Dia Em Que Meus Pais Saíram de Férias se passa nos anos 70, durante o período de repressão da ditadura militar. Mas o clima tenso da época é mostrado sutilmente, por meio da história do menino Mauro (Michel Joelsas), de 12 anos, que se vê separado dos pais e obrigado a viver em meio a uma comunidade de judeus do Bom Retiro, em São Paulo. Lá vivia seu avô paterno, interpretado por Paulo Autran, que fez uma ponta no filme. Como quase todo garoto, uma das grandes preocupações de sua vida era o futebol. Aquele foi também o ano da Copa do Mundo disputada no México, em que o Brasil ganhou da Itália. Além de Joelsas e Autran, o elenco conta também com Germano Haiut, Daniela Piepszyk, Simone Spoladore, Eduardo Moreira, Caio Blat, Rodrigo dos Santos. O filme ganhou vários prêmios e foi eleito o melhor da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo do ano passado, pelo voto popular.

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