O ano em que a moda passou rápido

2010 foi marcado pelo fenômeno fast fashion e pelas tendências múltiplas

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2010 | 00h00

Nenhum termo define melhor a última década na moda e no comportamento como fast. Foram anos em que tudo passou velozmente. A moda tornou-se fast fashion, os desfiles passaram a ser transmitidos pela internet e hoje é possível acompanhar em tempo real, via blogs e até pelo twitter, o que acontece nas mais exclusivas passarelas do mundo. Muitos desfiles se passaram até 2004, quando Karl Lagerfeld, o todo-poderoso da Chanel, decidiu criar uma coleção em parceria com o império sueco da "moda rápida" H&M. Nascia aí a "democracia fashion" e a tal da "roupa com informação de moda" deixou de ser privilégio de poucos e abastados.

A tendência demorou um para chegar ao Brasil, mas, finalmente, pegou por aqui. Em 2010, a Osklen assinou com a Riachuelo, enquanto a C&A trouxe para seu acervo nomes como Maria Bonita Extra, Gloria Coelho, Amir Slama, Reinaldo Lourenço. Para 2011, a loja promete mais um abalo: Stella McCartney assinará uma coleção para a C&A, que chega às lojas em março. Há rumores de que Gisele Bündchen estrelaria a campanha, mas, por enquanto, ainda é a top húngara Barbara Palvin. Certo mesmo é que Gisele será a garota-propaganda da nova campanha da Balenciaga, grife pela qual ela já havia desfilado. O Brasil também vai ganhar uma filial da badalada Top Shop.

Lá fora, este foi o ano de a Lanvin abalar quarteirões pela Europa ao lançar, em novembro, uma coleção com a H&M. O anúncio da parceria causou alvoroço tamanho que pulseiras, com diferentes horários de acesso às lojas, foram distribuídas ainda de madrugada aos clientes.

Enquanto isso, nas passarelas, tudo passou rápido demais. Em tempos fast, um ano pode ter quantas referências possíveis. Este foi o ano do estilo ladylike (valorizando as formas femininas), do clochard chic, do revival dos anos 80, do militarismo... O ladylike deu o tom em coleções da Dior (com seu infalível new look), Prada e Louis Vuitton. Tão feminino quanto, mas mais inocente e doce, o estilo girlie chegou com tudo na passarela da D&G, em Milão. Para a Primavera/Verão 2011, Domenico Dolce e Steffano Gabbana querem uma mulher literalmente vestida de flores. Na linha romântica, a renda, que casa perfeitamente com a onda feminina, é item que não sai de moda e ganhou a primeira fila. Destaque no verão da Dolce&Gabbana, que buscou no corredo (enxoval feito à mão) a inspiração para criar uma mulher delicada e natural.

Depois de amargar a perda de seu criador, que se suicidou em fevereiro, a McQueen elegeu Sarah Burton (assistente de Alexander por anos) para assumir a direção criativa da grife. Em outubro, ela apresentou em Paris a coleção Primavera/Verão 2011, a primeira sem seu criador. E agradou. Shapes e volumes dramáticos em vestidos que ostentavam penas, brocados feitos com materiais originais, como ráfia, pena e crina de cavalo, e trabalhados em uma palheta de cores ora terrosos e com muita estampa, ora total black.

Já em Milão, quem agradou mesmo, e ganhou o posto de desfile do ano foi Miuccia Prada, que apostou em uma mulher arrojada com um quê de Carmen Miranda pós-moderna. A grife exibiu uma mistura da sobriedade dos uniformes de trabalho com a graça de babados, bananas, listras, flores e cores vibrantes. Como os modismos passam com rapidez, ou correm em paralelo, o estilo motoqueira chic e o militarismo fashion fizeram bom contraponto ao ladylike style. A inglesa Burberry (que abriu há pouco filial no Brasil) chegou à passarela da London Fashion Week, em setembro, vestida de trenchcoat de motoqueiro. A peça ícone da grife ganhou releitura pós-moderna e virou este híbrido biker trench.

Bichos. Outra tendência que já virou clássico é o animal print. Seja em estampas oncinha, zebras e afins, ganhou destaque da Ferragamo, Dolce &Gabbana e Moschino, entre outras. Por aqui, a Neon extrapolou o animal print e trouxe, na SPFW de janeiro, Outono/Inverno, mulheres-elefante, tucano, araras... Já Alexandre Herchcovitch navegou por outras águas e escolheu uma palheta gráfica e ultracolorida para usar em seu verão. Cores fortes, vestidos ora monocromáticos, ora coloridos e quadriculados, com recortes, volumes nos ombros, pregueados.

Na passarela da Fashion Rio, foi a British Colony quem ganhou as atenções com seus grafismos e geometrias. Prestes a dar a largada Outono/Inverno 2011, no próximo dia 11, exaltando a alma carioca como tema, o Fashion Rio comemorou em 2010 o retorno de Isabela Capeto, da Blue Man e OEstúdio.

Já a histórica 30.ª edição da SPFW promete. A julgar pela primeira grande novidade do evento, que começa no dia 28 de janeiro, São Paulo vai ter uma semana agitada. A Colcci, que em 2010 apostou na dupla Gisele Bündchen e Reinaldo Gianecchini, desta vez traz o ator Ashton Kutcher para estrelar seu desfile. Famoso por ser marido de Demi Moore, ele é o garoto-propaganda da nova campanha da grife e, com certeza, vai causar na Bienal.

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