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O amor visto por Gilles Lapouge e Jorge Forbes

O correspondente francês do 'Estado' participa de debate com o psicanalista nesta segunda-feira, 20, em São Paulo

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2016 | 04h00

A ligação do escritor francês Gilles Lapouge com o Brasil completa 65 anos sem que a paixão pelo País tenha diminuído nessas seis décadas. Correspondente do Estado por todo esse tempo, Lapouge, premiado pela Academia Francesa e personagem do documentário Le Colporteur de Songes (O Mascate dos Macacos), dirigido por Joël Calmettes, volta ao Brasil para debater um assunto complexo com o psicanalista Jorge Forbes, num bate-papo organizado pela Manole Conteúdo, o Consulado da França e a Aliança Francesa. O encontro, que tem como tema Amar, Coisa Difícil, será nesta segunda-feira, 20, às 19h30, na Aliança Francesa, com entrada gratuita (a capacidade do auditório é de 226 lugares).

O assunto não é estranho na literatura de Lapouge ou nos textos de Forbes. Lapouge publicou um livro chamado Dicionário dos Apaixonados pelo Brasil, que atesta sua autoridade sobre o amor, tema que seu conterrâneo Stendhal explorou num clássico ensaio de 1822, De L’Amour, em que analisa o fenômeno por ele batizado de ‘cristallisation’. Stendhal cunhou esse termo para definir o amor como um produto do imaginário dos amantes, uma ilusão que, de modo geral, termina em desilusão.

Dicionário dos Apaixonados pelo Brasil é um pouco isso. Franco, Lapouge fala de assuntos que preferia evitar ao descrever o país que tanto ama: do racismo, da violência, da hipocrisia do brasileiro e mais duas ou três outras coisas sobre sua relação de 65 anos, desde que, numa escala do avião em Pernambuco, em 1951, descobriu seu amor tropical. Lapouge explora também a ambivalência do sentimento amoroso em seu romance Le Bois des Amourex, em que o protagonista, um vagabundo, desaparece com a mesma rapidez com que aparece num pequeno vilarejo, alimentando o imaginário de seus habitantes.

Já o psicanalista Jorge Forbes, em seu livro Você Quer o Que Deseja?, segue igualmente a teoria stendhaliana ao analisar a luta do ser humano para conseguir conquistar o objeto de seu desejo para logo em seguida se desinteressar dele. Por presidir o Instituto da Psicanálise Lacaniana, Forbes, naturalmente, também recorre à teoria sobre o desejo do próprio Lacan, em que a angústia, vista como uma doença por outras correntes psicanalíticas, aparece ligada à emergência do desejo do Outro.

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