O amor está no ar

O amor está no ar

Ópera Romeu e Julieta é encenada no Teatro Municipal do Rio

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2010 | 00h00

De Verona para o Rio, e em grande estilo. A história de amor mais famosa de todos os tempos se apodera do Teatro Municipal carioca a partir de amanhã, sob as ordens da dona da casa. A cenografia é "natural": 95% dela é formada pelo que o centenário teatro, de 1909, já oferece.

Em sua primeira montagem ali desde que assumiu a direção, há três anos quase exatos, Carla Camurati resgata a popular tragédia de Shakespeare embalada pela bela música do francês Charles Gounod, com libreto de Jules Barbier e Michel Carré, considerado fiel ao original do dramaturgo inglês.

Este Romeu e Julieta não era encenado no Municipal desde 1953; agora volta tendo entre os papeis dos adolescentes apaixonados os experientes Fernando Portari e Rosana Lamosa, que já encarnaram o casal há cinco anos, em São Paulo.

"A música é delicada, e a peça é muito dramática, foi escrita no auge do melodrama, no século 19", diz Portari. "É romântico demais, tem vários duetos. Acho interessante o fato de ficarmos tão perto do público nas cenas mais íntimas. Acho que é a primeira vez que isso acontece aqui", acrescenta Rosana.

Até o dia 26, ela se revezará no papel com a sul-coreana Sumi Jo (são seis apresentações, três com cada uma); Portari, com Atalla Ayan. A "Grammyada"soprano se diz encantada com esta, a qual não conhecia. "Eu me apaixonei por Gounod, sua música é cheia de cores. Costumo fazer coisas menos dramáticas, como Rigoletto (de Verdi) e O Barbeiro de Sevilha (de Rossini)", conta Sumi Jo.

A proximidade com o público a que Rosana Lamosa se refere se deve ao fato de Carla ter estendido o palco até quase encostar na primeira fileira da plateia (que não será usada). A caixa cênica, que já é enorme, ganhou ainda mais espaço com a abertura da parte de trás do palco, por onde Montecchios e Capuletos também passarão.

Tudo novo. São 250 artistas em cena, entre solistas, coro (que ocupará camarotes), orquestra (sob a batuta do maestro Silvio Viegas) e bailarinos. Todos artistas da casa. A ópera entra no repertório do teatro. Carla visualizou a ideia durante a reforma, que deixou como novo o prédio, por dentro e por fora, à frente da qual esteve durante ano e meio.

"Com certeza não teria imaginado isso se não tivesse passado pela obra. Vi o teatro desnudo, como um grande palácio", ela lembra. "Quis fazer um espetáculo arrebatador musicalmente e cenicamente, explorando a arquitetura real e trazendo um clássico para a nossa realidade."

Ela põe Romeu e Julieta no camarote especial do governador, e usa de fundo tanto projeções sobre um telão quanto o pano de boca monumental de Eliseu Visconti, recém-restaurado.

ROMEU E JULIETA

Teatro Municipal do Rio. Praça Floriano, s/nº. Dias 18 e 25 às 20h30. Dias 19 e 26 às 17h. Dias 21 e 22 às 20h. De R$ 25 a R$ 84.

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