O amigo culto do 'Führer'

Joachim Fest traça perfil de Albert Speer, o arquiteto predileto de Adolf Hitler

Ubiratan Brasil , O Estado de S.Paulo

10 de março de 2012 | 03h09

Terminada a 2.ª Guerra, um dos alemães mais procurados pelos aliados foi Albert Speer - não por conta de crimes abomináveis, mas por ser justamente um estranho no ninho nazista. Culto, Speer (1905-1981) foi ministro dos armamentos e o arquiteto preferido de Hitler. O interesse dos vencedores da guerra era resgatar um homem decente transformado em instrumento do mal.

Único dos nazistas a admitir sua culpa no Tribunal de Nuremberg, Speer rascunhou uma autobiografia. Como o original estava desconexo, o editor Wolf Siedler convidou o historiador Joachim Fest para interpelar Speer. Como já planejava escrever uma grande biografia de Hitler (Nova Fronteira, 1989), Fest percebeu que teria o privilégio de tratar com uma testemunha de primeiro plano. Assim surgiu Conversas com Albert Speer, lançado agora pela mesma Nova Fronteira.

A decepção de Fest com as evasivas de Speer repercutem no livro. Ele revela sua irritação com a tática do arquiteto de trocar de assunto ou de se confessar incapaz de prosseguir num tema. Um grande dilema moral incomodava Speer, como se a sombra da destruição nazista o encobrisse em demasia.

Mesmo assim, o livro permite, a partir de sua colcha de retalhos, esboçar um perfil do que foi a relação entre o arquiteto e o Führer. Speer nega, por exemplo, que houvesse um componente homoerótico no relacionamento. A verdade é que se chegou a ventilar que o arquiteto vinha sendo preparado para ser o novo Führer. o que ele - atenção - não nega nesta obra.

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