Felipe Rau/AE
Felipe Rau/AE

O Alto da Liberdade é pop

Está na hora de subir um nível. Enquanto todos se espremem no Baixo Augusta, você vai se divertir mais cedo - e tranquilamente - no Alto da Liberdade

Camila Hessel, O Estado de S. Paulo

09 de dezembro de 2011 | 17h10

Chega de Baixo Augusta! Pelo menos por uma semana. A cidade tem uma nova balada - e você não quer chegar a ela depois de todo mundo. Estamos falando do Alto da Liberdade, trecho próximo à Av. Liberdade, mais distante de pontos famosos do bairro, como a praça que abriga a feirinha dos finais de semana. Esqueça a feira. E as compras nas lojas e mercadinhos da R. Galvão Bueno. O Alto da Liberdade é lugar de matinê. Os restaurantes e botecos fecham cedo (a maioria às 23h). E, como estão a poucas quadras de duas estações de metrô (a Liberdade e a São Joaquim), a melhor coisa mesmo é deixar o carro em casa.

Comece pela primeira galeria de arte contemporânea do bairro, siga para a comilança e, se a agenda da semana permitir, encerre em um show bacana no Cine Joia. O Divirta-se tem certeza que você vai querer voltar. E que, em poucos meses, antes de tomar o metrô, vai dizer 'arigato gozamaisu'!

Rodízio nunca mais

No Izakaya Kazu, aberto em 15/10, você vai se sentir em um episódio de Anthony Bourdain (o ex-chef de cozinha americano que viaja o mundo para comer em restaurantes populares). Famílias numerosas e grandes grupos de adolescentes japoneses se espalham pelo enorme salão no térreo do complexo gastronômico, falando alto e rindo em profusão nas mesas repletas de pratos de comida. À chegada de um novo cliente, os funcionários do balcão e os garçons bradam um entusiasmado 'irashaimasê'. Os pratos saem da cozinha em ritmo de fast food, mas com uma vantagem: são feitos com ingredientes fresquíssimos. Os teishokus (pratos feitos) incluem o bar de saladas, uma cumbuca de arroz e outra de sopa. Peça o 'Sanna' (R$ 25), uma saborosa cavalinha inteira assada na grelha e temperada apenas com sal, ou o 'Tonkatsu' (R$ 28), fatias sequinhas de copa lombo empanadas. O sushi misto (R$ 35) é outra boa opção: são seis niguiris (o de vieira é fantástico) e sete enrolados. Para beber, saquês (R$ 25, a dose) e cerveja (R$ 7,50, Original).

Leve os amigos para uma maratona de comida japa no ‘Espaço Kazu’. E termine a noite de sushis, sashimis e macarrão em grande estilo, no bar de saquê.

Sushi-robô

As pessoas param diante da vidraça da Delicatessen. A máquina de um metro de altura molda os bolinhos de arroz, que saem embalados, um a um, em papel celofane. Os sushis são vendidos por unidade (R$ 3) ou em bentôs (caixas plásticas). Mas só come da máquina quem levar para casa. Os combos servidos no Izakaya são preparados à moda antiga, por um sushiman. Ali você também come um saboroso pão de karê (R$ 3) e doces japoneses.

Endereço e Horários

R. Thomaz Gonzaga, 90, Alto da Liberdade, 3208-6177.

Izakaya e Go!Go!Curry! : 11h/15h e 18h/22h30 (fecha 2ª). Cc.: M. e V.

R. Thomaz Gonzaga, 90, Alto da Liberdade, 3208-6177.

Só tem care

‘Karee-raisu’, ‘curry rice’, ‘karê’. A versão japa do curry indiano - criada em Yokohama, no séc. 19, por imigrantes ingleses - é o mote do cardápio do Go! Go! Curry!, no 2º piso. O carro chefe é o ‘Tonkatsu Karê’ (R$ 33): fatias de lombo e arroz cobertos pelo molho levemente picante.

No copinho

A distância física é mínima: dois lances de escada. Mas os ambientes não poderiam ser mais diferentes. A barulheira dá lugar à música ambiente, as mesinhas de madeira a sofás amplos e a iluminação de shopping à luz baixa de um piano bar. O Kazu Sake Emporium é um charmoso bar de saquê, que também abriga um empório. A bebida, servida em jarras de 180 ml (de R$ 35 a R$ 260), também compõe drinques, como o ‘Umeshi Mojito’ (R$ 25), feito com licor de ameixa, limão, shissô e soda. Não sabe o que beber? Peça ajuda a Momoka, a simpática mestre de saquês.

Horário

Bar:17h/23h (sáb., 17h/0h; fecha 2ª). Empório: 9h/23h (fecha 2ª).

Não é Miojo

Apesar de pequeno (são apenas 32 lugares), não é difícil identificar o Lamen Kazu, ‘irmão mais velho’ do Espaço Kazu. Invariavelmente, uma fila se forma na calçada. Ali, há 15 versões do mesmo prato, o lámen. As cumbucas generosas do macarrão, servido com um caldo vigoroso de frango e porco e acompanhamentos variados, ajudam a entender a fila. Prove o ‘Hokkaido Missô’ (R$ 30), com vieiras, milho e manteiga e por nada neste mundo saia de lá sem pedir as guiozas na chapa (R$ 12). R. Thomaz Gonzaga, 51, Alto da Liberdade, 3277-4286. 11h/15h e 18h/22h30 (dom., 11h/21h). Cc.: V.

O INÍCIO... E O FIM

Ok, você só pensa em comer, mas seu passeio pelo Alto da Liberdade pode começar (e terminar) em arte, na primeira galeria e na melhor casa de shows do pedaço

Galeria Mezanino

Criada em 2006, no mezanino de uma loja na região da Paulista, a Galeria Mezanino passou anos fazendo mostras itinerantes, que ocupavam espaços ociosos da cidade. Em setembro, fixou sua sede em um edifício comercial, na esquina da Rua da Glória com a Rua dos Estudantes, que abriga escritórios e até uma escola de mangá. Ali, fica exposto o acervo composto por gravuras, fotografias, pinturas e objetos. Até 23/12, exibe também duas mostras individuais: 14 fotos de Cláudia Guimarães que retratam o universo GLBT e os desenhos e esculturas do artista autodidata Francisco Hurtz. A uma quadra do metrô Liberdade, é bom ponto de partida para a sua matinê.

Endereço e horários

R. da Glória, 279, cj. 62, Alto da Liberdade, 3436- 6306. 12h/20h (sáb., 12h/18h; fecha dom.).

Cine Jóia

Entre as décadas de 50 e 80, o Cine Joia era um dos quatro cinemas do bairro que passavam filmes japoneses. Redescoberto e reaberto em novembro com o mesmo nome por Facundo Guerra, André Juliani e Lúcio Ribeiro, o espaço recebeu estrutura para virar a principal casa de shows de médio porte da cidade. O letreiro na fachada é o mesmo, e o salão, que agora é pista, ainda é em declive. Mas o prédio ganhou bares, palco, um impressionante sistema de video mapping, e até uma balada escondida para as festas das bandas.

Pça. Carlos Gomes, 82, Alto da Liberdade, 3231-3705. www.cinejoia.TV

HIGH FOOD FAST FOOD

Não faltam opções no trecho mais agitado (e novidadeiro) do bairro: do menu degustação preparado por um chef estrelado à comida aquecida no micro-ondas

Chez Haraguchi

Inaugurado no fim de setembro, o Ban é a aguardada nova casa do chef Masanobu Haraguchi. O ex-chef do Miyabi prepara a sua especialidade, o omakasê (menu degustação), composto por entradas, pratos quentes, sushis e sobremesa. Há opções de cinco (R$ 80), sete (R$ 120) e nove tempos (R$ 160). Sim, o restaurante é programa para uma ocasião especial. Mesmo para quem prefere pular o menu degustação e ficar só nos (ótimos) sushis e sashimis, preparados com esmero por Robinson Nobu Mizumoto, que trabalhava no Shin Zushi. O combinado misto (R$ 50) é uma boa pedida.

Beba em casa

O Empório Liberdade é outro recém-chegado à agitada Rua Thomaz Gonzaga. Mas não vá esperando um mercado só de especialidades orientais. A casa, aberta há dois meses, tem prateleiras cheias de produtos importados comercializados por empórios tradicionais, como massas e biscoitos italianos, por exemplo. Há uma seleção interessante de cervejas americanas (como a excelente Brooklyn Beer) e brasileiras; vinhos e uns poucos rótulos de saquês. Se é saquê que você busca, deixe o Alto da Liberdade e visite a ‘Adega de Saquê’ (endereço na pág. 17). Lá, procure pelo simpático Alexandre, que tem conhecimento enciclopédico da bebida.

Endereço e horários

R. Thomaz Gonzaga, 28, Alto da Liberdade, 3208-0158. 10h/22h (sáb., até 20h; dom., até 16h).

Peça pelo número

O Sukiya é para quem tem pressa. Com quatro lojas na cidade (a primeira delas instalada na Liberdade, há pouco mais de três meses), a rede de comida rápida tem mais de 1.600 endereços no Japão. Sua especialidade é o ‘Gyu-don’, um cozido de carne com cebolas, servido na cumbuca, sobre uma porção de arroz (R$ 8, o tradicional; R$ 11, o com legumes e conserva picante de acelga). Há opções com carne de frango, curries e teishokus. É baratinho, mas é fast food. E nada de woks: as porções de carne, embaladas em plástico, são aquecidas no micro-ondas. Mas os preços baixos compensam a esticada até as imediações do metrô São Joaquim.

RECALCULE A ROTA

A Liberdade que você conhece pode acabar.  Empurradas pelo mercado imobiliário, casas queridas, como o Bueno, devem fechar até o fim de 2012

O Bueno não fica no Alto da Liberdade e não é novo. Mas está aqui porque vai acabar. Pelo menos do jeito que é hoje. Uma companhia de investimentos imobiliários comprou o imóvel e o contrato acaba em 2012. Até lá, você não pode deixar de ocupar um dos 16 lugares do balcão de seis metros no pequeno boteco de Fernando Yoshinobu Kuroda. Há outros 24 lugares nas mesas do piso superior, mas você vai querer ficar no balcão, espremido entre um habitué e outro. Só ali você pode espiar os pratos alheios e copiar os pedidos, puxar papo com os funcionários (ou com o próprio dono, cuja atenção é disputadíssima) e assistir (sem entender, não tem problema) aos programas da rede japonesa NHK que passam nas duas tevês instaladas ali. Comece com os otoshis (petiscos) expostos no balcão. Barriga de porco, conserva de acelga, maionese japa, berinjela grelhada... (R$ 10, a porção; R$ 28, o trio), passe para os espetinhos e encerre com o ‘Thanko Nabe’ (R$ 27), delicioso caldo com carne, legumes e, se você quiser, arroz ou macarrão.

Tem, mas vai acabar

R. Galvão Bueno, 458, Liberdade, 3203-2215. 18h/23h; último pedido até 22h30 (fecha dom.). Até dez/2012

Não precisa chorar

Al. Santos, 835, Cerq. César. A data de abertura, ainda não confirmada, está prevista para o fim deste mês.

No microfone

As cervejas e os quitutes do Bueno estão incríveis e, embora você até respeite os hábitos do bairro, não está afim de voltar para casa. Não precisa. Um karaokê pequeno, sem placa na porta, diferente dos que fizeram sucesso há dois anos, fica logo ali na esquina. E só fecha às cinco da manhã! Calma, é melhor: dali você pode continuar pedindo os otoshis do Bueno. Um garçom atravessa a rua e entrega.

Endereço e horários

R. Fagundes, 220, Liberdade, s/ telefone. 19h/5h.

PEDIDO DE ADOÇÃO

Tocadas por simpáticas famílias, casas tradicionais servem comida caseira, farta e tão deliciosa que vão fazer você querer ser adotado por elas

Ao abrir a porta do Kidoairaku, você dá de cara com a ‘Batian’. Não é modo de dizer: a avó faz as vezes de hostess no restaurante da família do chef Kakuzui Matsui. Há um balcão no salão da frente e mesas no de trás. Mal se fala português, mas isso não é problema. Na verdade, é parte da graça. Por cerca de duas horas, você vai se sentir estrangeiro na própria cidade. A começar pelos especiais do dia, escritos em kanji em folhas de papel pregadas na parede. Uma das doces meninas que atendem as mesas providenciará um cardápio com tradução. Peça um dos teishokus e você terá diante de si uma bandeja repleta de potinhos com conservas, verduras, tofu, sopa, arroz... por honestíssimos R$ 30. Não se ofenda se o prato da senhorinha que chegou depois de você vier antes. No ‘Kido’, respeita-se a tradição. E uma delas é não cobrar a sobremesa: uma simpática gelatina de café com leite condensado.

R. São Joaquim, 394, Liberdade, 3207-8569. 11h30/14h e 18h30/22h30 (sáb., 11h30/14h e 18h30/21h30; fecha dom.).

Chez Margarida

Dona Margarida talvez nem saiba, mas é pioneira do Alto da Liberdade. O seu Izakaya Issa, boteco para tomar saquê e saborear comidinhas, abriu no início de 2010 - e, com seu sorriso largo, acolheu ‘gaijins’ (clientes sem ascedência japonesa). Pequenino, abre de segunda a segunda. E você pode comprar uma garrafa de 1,8 l de saquê e deixar guardada para quando voltar. Os takoyaki (R$ 28), bolinhos de polvo feitos na chapa, são deliciosos e ganharam o Prêmio Paladar do ano passado. Mas não fique só neles: aceite os conselhos da anfitriã e saia de lá bem feliz. R. Barão de Iguape, 89, Alto da Liberdade, 3208-8819. 18h/23h30 (dom. e fer., até 23h).

MAIS

Adega de Sakê

A maior seleção de saquês e shochus da cidade, além de bentôs, iguarias típicas e da consultoria especializadíssima de Alexandre, o ‘Adegão’. R. Galvão Bueno, 387, Liberdade, 3209-3332. 9h/18h (dom., 9h/14h; fecha 2ª e fer.).

Aska

Restaurante especializado em lámen frequentado principalmente por gente ‘da colônia’. Nas primeiras visitas, o excesso de regras pode soar hostil. R. Galvão Bueno, 466, Liberdade, 3277-9682. 11h/14h e 18h/22h (fecha 2ª).

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