NY vê a divertida arte de Claes Oldenburg

Nestes dias quentes do verão nova-iorquino, quem visitar o terraço no telhado do Metropolitan Museum para apreciar a vista do Central Park pode imaginar-se como o João da história do pé de feijão mágico que cresceu até as nuvens. O escultor Claes Oldenburg e sua mulher, Coosje van Bruggen, transformaram o lugar no que parece o quintal de um gigante. Ali estão dois pedaços de torta de 1,20 metro de altura cada um e, espetado de cabeça para baixo, equilibra-se um alfinetão de 6 metros, daqueles que prendiam fraldas antigamente. Um lenço esvoaçante de 4 metros e uma pazinha de jardinagem de quase 7,5 metros completam o cenário.As crianças se divertem e os adultos pelo menos sorriem diante da proporção dos objetos. Feitos de fibra de vidro, metal e pintados de cores brilhantes, eles são algumas das mais recentes esculturas que Oldenburg, um dos pioneiros do movimento pop na arte americana, vem criando desde a década de 60. Além das obras que ficam expostas no jardim suspenso do Metropolitan até o fim do verão, dezenas de outras esculturas imaginadas pelo artista nos últimos 40 anos também podem ser vistas, até 15 de setembro, numa exposição de desenhos no Whitney Museum.No catálogo de uma de suas exposições em 1961, Oldenburg dizia ser favorável "a uma arte política-erótica-mística que faça mais do que ficar sentada no seu traseiro num museu". Na mesma época, o artista (suíço naturalizado americano) começou a apresentar propostas para esculturas monumentais em diferentes cidades, representando objetos da cultura e do consumo de massa.Para Nova York, por exemplo, havia a de um urso de pelúcia no Central Park, um Good Humor, sorvete americano muito popular, na Park Avenue, e uma tábua de passar roupa no Lower East Side. Para a cidade de Seattle, Oldenburg imaginou uma catedral em forma de torneira jorrando água no Lake Union.Demorou para ele realizar um daqueles projetos. O primeiro a sair do papel, em 1969, foi The Lipstick (Ascending) on Caterpillar Tracks, um batom de aço, alumínio e resina com quase 7,5 metros de altura, montado sobre um tanque de guerra. A obra foi encomendada por estudantes de arquitetura da Yale University, a fim de ser usada como pódio para discursos sobre temas da época, como a Guerra do Vietnã.A partir de 1976, Oldenburg começou a trabalhar em parceria com a curadora holandesa Coosje van Bruggen, com quem se casou no ano seguinte. Ela geralmente faz a pesquisa de material e a formulação da cor que são empregados nas esculturas.As que estão no jardim do Metropolitan foram produzidas nos últimos três anos. Architect´s Handkerchief, de 1999, foi inspirada no lenço que o arquiteto alemão Mies van der Rohe exibia sempre no bolso superior do paletó. Naquele mesmo ano, o casal criou Corridor Pin, Blue, o alfinetão, e Shutlecock/Blueberry Pies I and II, os dois pedaços de torta que, como lembra o título em inglês, têm certa semelhança com uma peteca. A mais recente é Plantoir, a pazinha de jardinagem intitulada em francês (o casal tem uma propriedade no Vale do Loire, na França) fundida no ano passado.A exposição no Whitney está dividida em duas partes. A primeira, no quinto andar do museu, reúne 74 desenhos feitos por Oldenburg entre 1959 e 1997. A outra, instalada na galeria do lobby, traz 18 trabalhos em formato maior que os anteriores e criados por ele e sua mulher. Entre esses há várias versões das fatias de torta; numa delas o pedaço de doce escorrega por uma encosta e em outra vira uma ilha.Atualmente, há cerca de 40 dos bem-humorados e irônicos monumentos criados por Oldenburg e Coosje espalhados pelos Estados Unidos, pela Europa e no Japão. Todos têm títulos engraçados que apenas confirmam o que se vê: Spoonbridge and Cherry, de 1988, é literalmente uma colher em forma de ponte com uma cereja, instalada num parque de Minneapolis; em Paris está a Bicyclette Ensevelie (Bicicleta Enterrada), de 1990; Tóquio tem Saw, Sawing (Serrote, Serrando), de 1996; e Milão, a capital da moda italiana, ostenta Ago, Filo e Nodo (Agulha, Fio e Nó), feita há dois anos.Ao dar status de monumento a elementos tão prosaicos como bastão de batom, colher ou torneira, Oldenburg tem provocado muita discussão. Mas tirou a pop art de dentro dos museus e galerias e abriu-lhe o espaço público, onde ela pode ser vista, reconhecida imediatamente, admirada e criticada por qualquer pessoa. Ou simplesmente servir como diversão.

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