Novos laços de família

Série do GNT mostra a intimidade de lares em que pai, mãe e filhos vivenciam diferentes arranjos familiares

ROBERTA PENNAFORT / RIO, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2012 | 03h10

Os gêmeos Mia e Gael têm duas mães, Mariana e Paula, e foram amamentados graças a uma maratona de revezamento organizada por tabelas de Excel. O pequeno Patrick, de 8 anos, nasceu quando o pai, Fernando, já beirava os 60, e coleciona irmãs adultas, cunhados e sobrinhos.

A grande família de Cristiana e Flávio se formou quando ela chegou com os dois meninos do primeiro casamento e ele, com suas duas meninas. E ainda viria Antônio, ou Tom Tom, para aumentar ainda mais a bagunça.

É tudo igual, só muda o endereço. Mas essas histórias de afetos múltiplos e divididos, temperadas por disputas de território, ciúmes justificados e doses beatificantes de paciência mereceram o novo programa da grade do GNT Novas Famílias, que estreia amanhã.

Estudados pelo IBGE por serem cada vez mais comuns na sociedade brasileira (e mundial), os novos arranjos familiares são o foco do documentarista João Jardim, convocado para dar um toque de "poesia, com a profundidade que o tema merece", conta a diretora-geral do GNT, Daniela Mignani.

O garoto adotado que tem dois pais, a mãe de quatro filhos de três pais diferentes, o marido que cuida do rebento para a mulher trabalhar em outra cidade, o ex-casal que tem guarda compartilhada da filha, que vai e vem dia sim, dia não... São tendências já estabelecidas, diz João - por sua vez, membro de um núcleo tradicional (é casado "há uns dez anos" com Carla Camurati, diretora do Teatro Municipal do Rio, mãe de seu filho Antônio).

A todo momento, entre a mesa de jantar, a festinha de aniversário e os jogos de videogame, ele acompanhou com a câmera o percurso dos afetos. "As pessoas são felizes, mas é lógico que aquelas famílias têm outras facetas. Todos posam um pouco no começo, para aparecer bem na televisão. Mas é só uma questão de paciência", conta.

"Focamos mais no amor, senão vira Márcia Goldsmith. São famílias em que talvez seja preciso fazer um esforço maior para se chegar ao entendimento."

Cara de cansado, porém inequivocamente satisfeito com o caminho escolhido, Flávio, que tem em casa idades entre 3 e 18, resume: "Aqui, cada um tem que abrir mão de suas vontades em prol do outro. Mas a vida é assim."

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