Novos e consagrados mostram sua arte

Essa é uma boa oportunidade para conhecer nomes que têm grandes chances de estar em evidência no circuito das artes plásticas da cidade e do País em pouco tempo. A 2.ª Mostra do Programa de Exposições do Ano 2000, que será aberta amanhã no Centro Cultural São Paulo (CCSP), cumpre o formato do programa, reunindo trabalhos de dois artistas convidados e quatro iniciantes, os quais, no que depender da tradição da mostra, podem estar dando início a uma trajetória de sucesso. O CCSP também expõe, durante este mês, uma série de trabalhos de Alex Severny, doados ao acervo pelo próprio artista.Uma das apostas do programa é Thereza Salazar. A jovem artista apresenta uma série de criações caracterizadas por uma reunião inusitada de elementos. Misturando técnicas como a fotografia e a gravura, a estreante criou grandes telas protagonizadas por reproduções de dentes humanos. As figuras são apresentadas como estampas publicitárias impressas em superfícies roxas ou mandalas douradas. É como se a artista colasse adesivos da era pop sobre flâmulas de religiões orientais. A sala seguinte traz duas esculturas da carioca Bet Olival. São peças de ferro, aço e veludo que ela expôs recentemente no Paço Imperial, no Rio.Outro selecionado do programa, Antonio Pinheiro retoma, de maneira engraçada, a preocupação com a manipulação genética. Sua exposição é composta por trabalhos em formato médio que, como em lâminas de laboratório, guardam amostragens de sangue humano. No caso, seu próprio sangue, que funciona nas obras como a linha de seus desenhos, figuras de animaizinhos de enfeitar festas infantis, como pôneis, cachorrinhos e outros bichos no diminutivo. Ao lado da montagem de Pinheiro, a nem tão estreante assim Ana Kesserling apresenta a força de seus desenhos, suas precisas interpretações de paisagens, que também mostra, a partir de quinta-feira, na Galeria Mônica Filgueiras. Ana também exibe, tanto no CCSP como na galeria, pinturas decorrentes de seus desenhos. Apesar de ela defender a autonomia dos trabalhos calcados na idéia da apreensão do vazio das filosofias orientais, eles mostram a mesma origem de observação. A artista cria seu traço a partir de uma visão externa (como paisagens do litoral norte) e depois as descarta, de forma que a associação da obra com sua origem torna-se indecifrável. Mas o grande destaque da exposição são as grandes telas da veterana Célia Euvaldo, que expõe na grande sala ao lado do argentino e também convidado Carlos Clémen. Célia prossegue com o preto sobre o branco que caracteriza suas criações mais recentes, como as que estão expostas no Espaço Cultural Maria Antônia, da Universidade de São Paulo (USP). Ao lado das pinturas "poveras" de Clémen, feitas com restos industrais que o artista encontra nas ruas, as telas da artista plástica têm seu rigor de construção ainda mais ressaltado, como observa Camila Duprat, diretora da Divisão de Artes Plásticas do CCSP e uma das integrantes do júri de seleção do programa.2.ª Mostra do Programa de Exposições do Ano 2000. De terça a dom., das 9h às 22h. Centro Cultural São Paulo. R. Vergueiro, 1.000, tel. 3277-3611. Até 2/7

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