DIDA SAMPAIO | ESTADÃO
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Novo secretário nacional de Cultura é conhecido pelo diálogo com a classe artística

Aos 33 anos, o carioca Marcelo Calero serviu no Departamento de Energia do Itamaraty e na Embaixada do Brasil no México.

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2016 | 15h48

À frente da Secretaria de Cultura da Prefeitura do Rio por um ano e quatro meses, Marcelo Calero conquistou a simpatia da classe artística carioca pelo diálogo aberto com diferentes setores. Ele inaugurou arenas culturais, reabriu teatros que estavam fechados, implementou políticas de fomento às artes e de residências artísticas na rede municipal de teatros. Também foi criticado por ter fechado o Centro de Referência Cultura Infância, parâmetro de teatro infantil de qualidade, que funcionava no Teatro do Jockey, alegando que os recursos deveriam ser empregados em regiões com menos equipamentos culturais. Aliado do prefeito do Rio, Eduardo Paes, do mesmo PMDB do presidente em exercício Michel Temer, ele tem 33 anos e trabalha na área cultural da prefeitura desde 2013.

Advogado e diplomata, Calero é considerado um bom articulador. “É um gestor eficiente, que dialoga com todas os áreas da cultura. Ele tornou a lei do ISS (Imposto sobre Serviços), de incentivo à cultura, mais forte, é um negociador, sabe ouvir e é muito presente”, dise o presidente da Associação de Produtores de Teatro do Rio, Eduardo Barata. Ele não considera a nomeação de Calero para a Secretaria Nacional de Cultura uma pá de cal na luta dos artistas pela manutenção do Ministério da Cultura, agora vinculado ao Ministério da Educação. “Vamos pressionar a comissão mista do Senado. O senador Romário Faria (PSB), presidente da Comissão de Educação e Cultura, vai propor emenda para que o MinC seja reconstituído”. Na segunda-feira, Calero chegou a participar, na plateia, de um encontro no Rio em que representantes do setor cultural pediam a manutenção do MinC.

O novo secretário nasceu no Rio e se orgulha de ser da Tijuca, bairro da zona norte. Formou-se em direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e trabalhou nas áreas jurídicas da empresa Nokia, da Comissão de Valores Imobiliários (CVM) e da Petrobrás.

Como diplomata, serviu no Departamento de Energia do Itamaraty e na Embaixada do Brasil no México. Foi cedido à Prefeitura do Rio em 2013, alocado na Assessoria Internacional, no cargo de coordenador-adjunto de relações internacionais e do cerimonial. Ele ganhou notoriedade ao ser convidado por Eduardo Paes a comandar a agenda comemorativa do aniversário dos 450 anos do Rio, festejados em 2015. As celebrações tiveram calendário extenso, mas foi considerada tímida por críticos do governo.

Em janeiro de 2015, antes mesmo do aniversário da cidade (março), ele assumiu a Secretaria Municipal de Cultura. Desde então, tem trabalhado pela descentralização e democratização do acesso à cultura no Rio. Também se dedica à preparação da cidade na área cultural para os Jogos Olímpicos. Semana passada, lançou o Passaporte Cultural Rio, que oferece descontos e gratuidade em 700 atrações e 200 instituições durante a Olimpíada (agosto) e até 30 de setembro. Outra medida elogiada foi a de encampar três Bibliotecas Parque do Estado, equipamentos importantes ameaçados de fechamento por causa da penúria nas contas estaduais.

Em sua passagem pela secretaria, Calero sempre foi prestigiado pelo prefeito, que o elogia nas cerimônias públicas. Ontem, em nota, Paes disse que se trata de um “excelente quadro”, que fará falta à sua administração. O prefeito reiterou que não indicou Calero ao cargo, que foi informado do convite pelo próprio secretário.A última aparição como secretário municipal deverá ocorrer hoje: Calero e Paes entregarão certificados a realizadores culturais selecionados pelo Prêmio Territórios da Cultura. Será na Arena Dicró, centro cultural criado pela prefeitura para o público da Penha, zona norte. Calero entrou na secretaria na vaga deixada pelo jornalista Sérgio Sá Leitão. Curiosamente, Sá Leitão também foi aventado nos últimos dias para a Secretaria Nacional de Cultura.

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