Novo repórter do 'CQC' mostra 'vaidade' dos entrevistados

Por 'vaidade' as pessoas se sujeitam ao impensável, com a promessa de que ficarão 'bem na foto', diz Santana

Andrezza Capanema, do Jornal da Tarde,

27 de agosto de 2008 | 11h37

O repórter Warley Santana, de 31 anos, do programa Custe o que Custar (Band), promete revelar um comportamento muito peculiar de suas "vítimas" no quadro Assessor de Imagem. Segundo ele, em nome da "vaidade" as pessoas se sujeitam ao impensável, com a promessa de que ficarão "bem na foto" e crentes de que as câmeras estão desligadas. O primeiro entrevistado no novo quadro foi o deputado federal Sandro Mabel (PR-GO).   Logo no início da gravação, o deputado é uma simpatia só ao ver o repórter entrar em sua sala. A entrevista vai começar. Corta. "Deputado, seria interessante se o senhor estivesse falando ao telefone. (Para parecer que) a gente está entrando, invadindo." O político faz o que o entrevistador diz e simula que está em uma ligação: "Tem uma invasão aqui. Invasão na Câmara. Deixa eu desligar", diz ao aparelho mudo. A entrevista começa. Corta.   O assunto é casamento. O deputado chama a mulher de "minha namorada há 30 anos". "Eu achei isso tão interessante, deputado, tenho uma frase sobre casamento: 'No baralho da vida, encontrei apenas uma dama'". Pode gravar. O deputado fala da mulher e, lá no meio de suas respostas, manda ver: "No baralho da vida, encontrei apenas uma dama.'" E a entrevista segue. Corta de novo. "Agora, deputado, falando sobre a expansão da fábrica (ele é dono de uma marca de biscoitos), uma frase em italiano: 'Piano, piano se va lontano' (devagar se vai ao longe)". Vem o deputado de novo e, pacientemente, encaixa o ditado em sua fala de forma natural.   É assim, interrompendo políticos e celebridades para forjar situações, frases e gestos com a cumplicidade de seus interlocutores que Warley grava as entrevistas. Para não entregar o ouro logo de cara e ter portas fechadas, o programa decidiu gravar uma série de entrevistas do quadro antes de colocá-lo no ar. O deputado José Genoíno (PT) será o próximo. Apesar da aposta ousada, a audiência ainda não responde. O programa, que deu 8 pontos de média semana passada, marcou 4 nesta semana.   O quadro tem origem argentina, assim como o programa. Foi uma das brincadeiras de maior repercussão no país vizinho em 2002, repetindo a trajetória do Repórter Inexperiente. "Foi o quadro mais polêmico na Argentina, rendeu até processos. Depois, entenderam que era uma pegadinha. A gente não quer expor o político, mas a figura política", fala Warley. O ator paulistano desbancou 25 candidatos para ocupar a vaga do tal assessor de imagem. As informações são do Jornal da Tarde.

Tudo o que sabemos sobre:
CQCWarley Santana

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.