Novo Quarteto Fantástico é uma magnífica matinê

Filme, que dá vida ao angustiado personagem Surfista Prateado, tem pré-estréia nessa sexta-feira, 22, e estréia nacionalmente em 600 cinemas no dia 29

Agencia Estado

07 Junho 2021 | 12h57

Terá pré-estréia nessa sexta-feira o novo filme do Quarteto Fantástico (cuja estréia nacional, segundo a Fox, ocupará 600 cinemas no próximo dia 29). O filme foi apresentado para a imprensa brasileira na manhã desta terça, 19, no centro de São Paulo, e o estadão.com.br o assistiu. O Surfista Prateado, grande novidade dessa seqüência, lembra um pouco o robô assassino de cristal líquido de O Exterminador do Futuro 2. Às vezes, parece uma dessas estátuas malfeitas que infestam praças e parques das cidades brasileiras, um rosto de feijão num corpo de macarrão. Temos a sensação de que demoraram tanto para levá-lo às telas que sua calvície prateada já não é mais tão inédita. Mas O Surfista preserva o que lhe é essencial: a mistura de alienígena high tech com o peso existencial de um romântico do século 19 nas costas. E ele surfa nas nuvens. Não é algo parecido com snowboard: a prancha dele é de surfe mesmo. O Surfista Prateado exerce um estranho fascínio através dos tempos: está na capa do disco Surfing with the Alien (1987), de Joe Satriani, e é citado por Richard Gere em A Força de Um Amor (Breathless, 1983), refilmagem da história de Jean-Luc Godard e François Truffaut. No fundo, o que ele é? Um mercenário intergalático, um garçom do apocalipse que ronda o universo para encontrar pratos novos para seu monstruoso comensal. Nada muito diferente do que um executivo de multinacional, hoje em dia. O filme é uma grande matinê: cheio de gags, cheio de ironia, mas ainda fiel àquela fórmula do cavalheirismo família dos gibis antigos, o que preserva seu ar camp. Tudo e nada acontece: gente morre, gente ressuscita, rios são congelados, explodem luminosos em Times Square e o Tâmisa inteiro é engolido por um buraco no chão. Jessica Alba continua terrivelmente ruim como atriz, mas cada vez mais bonita, desconcertantemente bonita. O Tocha Humana (Chris Evans) rouba o filme com seu coté de bad boy incorrigível, um priápico que consegue enxergar até debaixo das fardas do exército americano. Em dado momento, um repórter pergunta a uma de suas modelos-acompanhantes: - "O que precisa para namorar o Tocha Humana?" _ "Lingerie à prova de fogo e muito creme Aloe Vera", responde a moça. Algumas piadas funcionam melhor que outras. Bacana a cara-de-pau de Stan Lee, que topou fazer o papel de barrado em sua própria festa - é impedido de entrar no casamento de dois dos seus personagens, Susan Storm e Reed Richards. Uma velha e magnífica matinada.

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