Novo presidente da TV Cultura promete mundanças

Há pouco mais de uma semana, Marcos Mendonça, ex-secretário de Cultura do Estado de São Paulo, assumiu a presidência da Rádio e Televisão Cultura. Encontrou uma emissora corroída pela falta de recursos e pela desmotivação dos profissionais. Depois da primeira reunião com o quadro de funcionários, na terça, Mendonça contou ao Estado seus planos: "Quero ser mais agressivo na captação de recursos". Por que o senhor instituiu a figura do ombudsman?Marcos Mendonça - A TV pública tem de ser transparente. A contratação do jornalista Osvaldo Martins vai permitir uma análise permanente da programação e, em conseqüência, fazermos os acertos necessários. Ele será figura que vai se relacionar com o telespectador e com o Conselho da Fundação Padre Anchieta. O que muda na Cultura com a sua chegada?Quero ser mais agressivo na captação de recursos porque a Cultura tem legalmente a possibilidade de buscar patrocínio, usar do incentivo fiscal. A meu ver a emissora tem que ser mais independente do estado do que é hoje. Vou buscar os recursos que o BNDES está disponibilizando para a mídia. Vamos buscar investimentos para melhorar nossos equipamentos, para digitalizar as 80 mil horas de programa do nosso acervo gravadas em fitas quadruplex, para produzir programas mais dispendiosos. Vamos investir na internet, vamos fazer a Cultura virtual - rádio e TV - e criar um grande portal com a agenda cultural de São Paulo e do interior. Ao ser escolhido, o senhor disse que seu plano é investir em dramaturgia, música erudita e esportes olímpicos. Por que esportes?A idéia é desenvolver uma programação para incentivar o esporte amador. Estamos desenvolvendo um projeto que envolve clubes esportivos e os patrocinadores do esporte amador. São só idéias, antes preciso resolver a parte administrativa da emissora, que passa por uma fase financeira difícil. A música faz falta na TV.A música de qualidade terá um espaço privilegiado na Cultura. Vamos procurar parcerias com as secretarias de Cultura, estadual e municipal, com o Sesc, para gravar espetáculos, óperas. Quero estar conectado com todos os eventos significativos - Bienal, Mostra de Cinema, Festival de Jazz - para transmiti-los pela Cultura. Que tipo de emissora a Cultura quer ser?A que explora novas linguagens e os nossos talentos internos: artistas, técnicos, diretores. Queremos ser um espaço de experimentação, de divulgação de produtos de qualidade para a criança. Investir no jornalismo mais reflexivo e ser uma emissora da qual os paulistas se orgulhem. Qual será sua atitude em relação aos funcionários?Vou fazer de tudo para motivá-los, porque são de alto gabarito, mas estão desanimados. Temos muita gente encostada porque os programas em que trabalhavam acabaram. A Fundação precisa ajustar o quadro administrativo e será a mais criteriosa possível nas medidas que tomar. Entre as boas coisas mais recentes da Cultura está o Doc.TV. Ele continua?Continua sim, acabamos de assinar convênio com o Ministério da Cultura para coordenar a produção e exibir 27 novos documentários para o Doc.TV. Qual é a sua ambição em relação à audiência?Não tenho grande preocupação com audiência. A TV Cultura pode se dar a esse luxo por ser sustentada pelo Estado. Nosso compromisso é com a qualidade.

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