Novo polo argentino de artes

Obra do artista brasileiro Ernesto Neto inaugura, em Buenos Aires, o Faena Arts Center

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2011 | 03h09

O seleto bairro portenho de Puerto Madero contou, desde a semana passada, com um novo centro de artes e museu, o Faena Arts Center. Seu dono, o empresário argentino Alan Faena, inaugurou suas instalações formalmente na quinta-feira com a exposição da obra Hipercultura Loucura na Vertigem do Mundo, do artista plástico brasileiro Ernesto Neto. A obra - uma mega-escultura flutuante feita com crochê - cuja curadoria é de Jéssica Morgan, do Tate Modern de Londres, pode ser vista desde sexta-feira, quando o centro foi aberto ao público.

Faena, considerado o promotor do desenvolvimento de Puerto Madero desde a crise de 2001-2002, reciclou as instalações dos maiores moinhos de trigo do país, construídas originalmente há mais de um século, para transformá-las na nau capitânia de seu "Art District", composto também por um hotel que conta com um music hall e um edifício residencial.

O Faena Arts Center, cujo edifício original é um dos marcos arquitetônicos da Belle Époque portenha, possui 4 mil metros quadrados de área coberta. Segundo o empresário, "este é um espaço para as vanguardas artísticas, não convencional, algo que não existia na capital argentina". Em novembro, o centro será a sede do Fashion Edition Buenos Aires.

"Conheci Neto em Veneza, durante a bienal dessa cidade. Na hora decidi que ele seria a pessoa indicada para inaugurar meu centro em Buenos Aires", disse Faena ao Estado. "Este centro será uma ponte cultural que aproximará a todos as artes e as novas tecnologias", completou.

As imensas janelas do centro de artes, favorecido por seu teto, a dez metros de altura, permitiram que a obra de Neto - que pende do alto da sala central de exposições - pudesse ser exibida em toda sua magnitude. "É uma escultura-aventura", definiu o artista ao Estado, enquanto seus próprios filhos subiam pelos corredores flutuantes de crochê.

O novo centro cultural também pretende atrair os turistas para uma área da cidade diferente do tradicional centro histórico, um lugar no qual o boom da construção deixou para trás a vida pública.

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