Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Novo ministro da Cultura é recebido com cautela por servidores do MinC

Marcelo Calero tomou posse na tarde desa terça-feira, 24

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2016 | 19h17

RIO - A posse do ministro da Cultura, Marcelo Calero, foi recebida com cautela por servidores do MinC e artistas ouvidos pelo Estado. O presidente da Associação de Servidores do MinC (AsMinc), Sérgio Pinto, disse que os funcionários ainda se sentem inseguros com a mudança repentina na gestão. "A gente está aguardando para se posicionar, o momento ainda é muito confuso. A sociedade está dividida, o setor da cultura está dividido. Foi uma semana de muita apreensão no ministério. A gente ainda não sabe o que esperar, tanto em relação ao ministro quanto às ocupações dos prédios do MinC", disse.

Independentemente do gestor à frente da pasta, ele afirmou que a defesa dos servidores é uma das políticas públicas que vinham sendo tocadas. "Defendemos o Plano Nacional de Cultura, o Sistema Nacional de Cultura, o Cultura Viva, os programas voltados para a cidadania, para o fortalecimento da diversidade cultural. O MinC foi recriado, mas ao mesmo tempo foi criada uma Secretaria de Patrimônio. E o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), vai perder atribuições? Que programas vão ficar? A gente não é contra revisar nem melhorar a gestão, mas não queremos retrocessos nas políticas."

Eduardo Barata, presidente da Associação dos Produtores de Teatro do Rio, disse que a divisão entre artistas que dialogam com o novo ministro e os que o consideram ilegítimo, assim como ao governo do presidente em exercício Michel Temer, poderá ser superada caso as políticas de Estado na área da cultura continuem de pé. Segundo ele, a classe artística nunca foi unida em torno de uma gestão.

"Nunca houve um ministro da Cultura que fosse uma unanimidade, nem Francisco Weffort (no governo Fernando Henrique Cardoso), Gilberto Gil, Juca Ferreira (no governo Luiz Inácio Lula da Silva), Ana de Hollanda, Marta Suplicy, Juca de novo (Dilma Rousseff). Um dado positivo é que a demanda pela volta do MinC uniu grande parte da classe artística e dos profissionais de cultura."

Barata disse acreditar que a cultura esteja saindo fortalecida do episódio da rápida extinção do MinC e seu retorno. "Nunca se falou tanto de cultura. Nunca o MinC esteve tantos dias nas primeiras páginas dos jornais. Legitimando ou não esse governo, se a (presidente afastada) Dilma (Rousseff) voltar, se tiver nova eleição, se o presidente do Supremo Tribunal Federal assumir, o desmonte do MinC não acontecerá mais. A presença do Marcelo Calero no ministério é boa porque é um técnico, um gestor, não um político, e assim, as conquistas poderão continuar intactas ou até melhorar." 

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