Novo livro de Saramago é criticado por bispos portugueses

Conferência Episcopal Portuguesa classificou 'Caim' como uma 'operação de publicidade'

Lusa,

19 de outubro de 2009 | 18h39

O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), Padre Manuel Morujão, classificou o novo livro de José Saramago como uma "operação de publicidade" e considerou que não fica bem a um vencedor do Prêmio Nobel usar um tom de "ofensa".

 

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No domingo, Saramago apresentou o seu novo livro, "Caim", onde conta a história do filho primogênito de Adão e Eva. Quase duas décadas após o escândalo provocado pela sua obra "O Evangelho segundo Jesus Cristo" (1991), Saramago afirmou, em entrevista que "a Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana".

 

"Na Igreja Católica não vai causar problemas porque os católicos não leem a Bíblia, só a hierarquia, e eles não estão para se incomodar com isso. Admito que o livro possa incomodar os judeus, mas isso pouco me importa", disse o escritor.

 

O porta-voz da CEP criticou as declarações de Saramago, ressaltando que se trata de uma opinião pessoal. "Parece-me ser uma operação de publicidade porque dizer bem da Bíblia, os grandes e os sábios o dizem como livro religioso, mas também como livro cultural. Ter uma opinião diferente e dizer que é um livro de maus costumes e onde se dizem coisas que não têm sentido nenhum causa impacto".

 

"Um escritor como José Saramago deveria ir por um caminho mais sério. Poderá fazer as suas críticas, mas entrar num gênero de ofensa não fica bem a ninguém, sobretudo quem tem um estatuto de prêmio Nobel", acrescentou.

 

Leitura

 

Questionado sobre se pretende ler "Caim", o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa disse que a nova obra de José Saramago não está entre as suas "prioridades".

 

"Não está nas minhas prioridades a leitura desse livro, porque pela apresentação que aparece na comunicação social acho que é de alguém que não entende os gêneros literários da bíblia", justificou.

 

O padre Manuel Morujão adiantou que "a Bíblia não tem só livros históricos como tem livros poéticos, livros sapienciais", sendo "evidente que não se vai interpretar poesia com critérios de história e vice-versa".

 

"Por isso ele encontra absurdos nesta história que sabemos que é uma história simbólica, de Caim e Adão. O justo e o mau que tem ciúmes daquele que é bom e é louvado. Estamos numa simbologia que é profundamente humana. Estas histórias acontecem hoje e é preciso também interpretá-las com critérios sapienciais, de ler para além do texto e sabendo com que gênero literários estamos a tratar", afirmou.

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