Novo filme de Moore critica planos de saúde nos EUA

Exibido no Festival de Cannes de 2007 e indicado para o recente Oscar de documentário - perdeu para Taxi to the Dark Side -, o novo filme de Michael Moore tem a marca do autor, mas Sicko - $O$ Saúde não está tendo a mesma repercussão de Tiros em Columbine e Fahrenheit - 11 de Setembro. E não é porque seja ruim. Provocativo, manipulador e com alma de showman, Moore investe contra os planos de saúde nos Estados Unidos.Moore apresenta casos (numerosos) de pessoas lesadas por seguradoras de saúde para denunciar o óbvio. As empresas aumentam seus lucros buscando subterfúgios para não ter de pagar os serviços contratados pelas pessoas. Quanto maior o lucro, mais ganham os executivos. O diretor até poderia ter ganhado a simpatia dos conservadores, se tivesse ficado só nas histórias humanas. Mas ele vai além, e aí as coisas se complicam.Mesmo na Inglaterra de Margaret Thatcher, a Dama de Ferro, uma das artífices das economias neoliberais, o sistema socializado de saúde permaneceu intocado - e até hoje o paciente, além de atendimento, recebe na saída do hospital o dinheiro da condução para casa. A pergunta de Michael Moore é simples - quem ganha com a privatização da saúde nos EUA? Se não virou comunista, ele com certeza está na contracorrente do mundo atual. Sicko busca casos na Europa e no Canadá para mostrar as vantagens da socialização.A grande provocação de Sicko - seria cômica se não fosse trágica - está nas cenas com os bombeiros que foram heróis no 11 de Setembro. Abandonados pelas seguradoras, eles amargam graves problemas decorrentes de suas ações naquele dia. O diretor os coloca num barco e ruma para Guantánamo, onde os EUA mantêm prisioneiros suspeitos de terrorismo, para ver se recebem atendimento. Onde são atendidos de fato, e de graça, é na falida Cuba que ainda era de Fidel Castro. Sicko tem as qualidades e os defeitos do cinema de seu autor, mas nunca, como aqui, ele foi tanto à essência do sistema que critica. Sicko - $O$ Saúde (Sicko, EUA/2007, 113 min.) - Documentário. Dir. Michael Moore. Livre. Cotação: Bom.

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