Novo exorcismo de Mario Prata

A inspiração, às vezes, vem por caminhos tortos - ao perceber que seu contador desviara boa parte do dinheiro que reservara para o pagamento de impostos, o escritor Mario Prata decidiu informar a Receita Federal. Mas a boa ação foi entendida como confissão de culpa e ele passou a ser tratado como suspeito pelo órgão público. "Se eu ficasse quieto, em cinco anos prescreveria", reclama Prata que, a partir do infortúnio, criou a trama de Os Viúvos, romance policial que lança hoje na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, marcando sua estreia na editora Leya.

, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2010 | 00h00

Ambientado em Florianópolis, capital onde Mario Prata vive desde 2000, o romance traz uma nova aventura do detetive Ugo Fioravanti e seu fiel auxiliar Darwin Matarazzo. Desta vez, o ex-policial federal precisa descobrir quem se esconde por trás das iniciais E.R.N., um louco que, entediado, avisa por e-mail que praticará uma série de crimes. Ao mesmo tempo, o detetive se ocupa em desvendar dois sequestros, além de encontrar a mulher que tem um específico par de nádegas, a pedido de um príncipe de Dubai.

"Eu não escreveria essa história não fosse uma situação tão absurda como meu problema com a Receita", conta o escritor que, como em um exercício de autoexorcismo, criou uma trama de mistério temperada com um humor tremendamente ácido. Com notas de rodapé estampadas em diversas páginas, Prata demonstra como o cotidiano é alimento vital para sua prosa.

A começar pela série de escritores policiais citados ao longo da narrativa - "São autores que eu estava lendo enquanto escrevia o livro", conta ele, que relaciona desde clássicos (como Agatha Christie e Raymond Chandler) até alguns não tão conhecidos, como o cubano Leonardo Padura Fuentes.

Outro exemplo em que a realidade se mistura à ficção está delineada no personagem do deputado Edmar Moreira, que não declara ter um castelo entre suas propriedades. "Prata exerce profissionalmente o dom da observação", escreve a também autora Marta Góes, no prefácio. "E essa capacidade define um autor." De fato, a partir de uma crítica sobre a política brasileira de cobrança de impostos, ele traça um perfil agridoce sobre uma realidade preocupante. / U.B.

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